Congressistas dos EUA cobram Zuckerberg por favorecer Flávio contra Lula
Parlamentares liderados por Bernie Sanders e Pramila Jayapal denunciam tratamento desigual da Meta no segundo turno e exigem auditoria e explicações sobre contatos com o governo Trump.

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Em resumo
- Treze parlamentares norte-americanos enviaram carta a Mark Zuckerberg cobrando explicações sobre favorecimento a Flávio Bolsonaro nas plataformas da Meta.
- O documento cita apagões e travas contra a campanha do presidente Lula, incluindo bloqueio de anúncios e recusa de IA do WhatsApp em gerar materiais petistas.
- Os congressistas exigem auditoria externa independente e questionam se a Meta manteve contatos com o governo Donald Trump sobre o pleito brasileiro.
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Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos enviou nesta quinta-feira (22) uma carta contundente ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, exigindo explicações formais sobre denúncias de tratamento desigual e favorecimento à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em detrimento da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa ocorre a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial brasileira e eleva ao cenário internacional os alertas sobre as tentativas das big techs de interferir no processo democrático do país.
A mobilização foi liderada pela deputada democrata Pramila Jayapal e conta com as assinaturas do senador Bernie Sanders e de parlamentares como Greg Casar, Maxwell Frost e Rashida Tlaib. No documento, os legisladores destacam a obrigação das redes sociais de garantir condições equitativas de recomendação e distribuição eleitoral.
“Estamos profundamente preocupados com relatos confiáveis de que as plataformas da Meta estariam restringindo ou suprimindo conteúdos associados à campanha de Lula, ao mesmo tempo que ampliam o alcance ou recomendam conteúdos associados à campanha de Bolsonaro, criando, assim, condições marcadamente desiguais no ambiente digital.”
Travas contra Lula e impulsionamento da extrema direita
As denúncias reunidas pelos congressistas detalham uma sequência de episódios que prejudicaram a comunicação da campanha de Lula com a população. Em 23 de setembro, a conta oficial de anúncios do candidato petista no Facebook foi sumariamente desativada, sem que a Meta fornecesse justificativa consistente antes de restabelecê-la. Pouco depois, entre 9 e 10 de outubro, o Instagram travou o impulsionamento de publicações petistas por quase 24 horas, apagão que impediu cerca de 1,3 milhão de pessoas de acessar as propostas do presidente.
Em contraste com as barreiras impostas ao campo progressista, comunicações internas da Meta vazadas na imprensa revelaram que os algoritmos recomendavam ativamente o perfil de Flávio Bolsonaro e um canal do WhatsApp ligado à campanha bolsonarista. Levantamento da organização brasileira CTRL+Z citado na carta aponta mais de mil denúncias de restrições na plataforma, afetando de forma desproporcional perfis e conteúdos de apoio a Lula.
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Conexões com Trump e exigência de auditoria
Diante da gravidade das assimetrias, a Justiça Eleitoral brasileira já havia agido. No dia 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp assegurasse igualdade imediata no tratamento aos candidatos, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. Como a empresa descumpriu a decisão, a Corte dobrou o valor da punição.
Apenas na terça-feira (20), a Meta alegou ter implementado 17 medidas para se adequar às determinações do TSE, incluindo um sistema com revisão humana em até duas horas para analisar restrições a anúncios das candidaturas. A postura da empresa, contudo, é vista com cautela diante do histórico de alinhamento com agendas conservadoras.
Os parlamentares norte-americanos solicitaram uma reunião de urgência com Zuckerberg para esta sexta-feira (23) e fixaram prazo até 4 de novembro para respostas formais por escrito. O grupo quer saber quais diretrizes regulam a moderação em eleições estrangeiras e cobrou esclarecimentos específicos sobre se a Meta manteve conversas com integrantes do governo de Donald Trump sobre as eleições no Brasil, o Judiciário do país e a regulação das plataformas. O documento também cobra que a empresa abra seus dados a auditores independentes, assegurando que o compromisso democrático prevaleça sobre os interesses corporativos das big techs.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comBernie Sanders e democratas dos EUA cobram de Zuckerberg explicação sobre atuação da Meta nas eleições brasileiras
- 2. jornalggn.com.brParlamentares dos EUA cobram Zuckerberg por denúncias eleitorais
- 3. g1.globo.comParlamentares dos EUA cobram explicações de Zuckerberg sobre ações da Meta na eleição brasileira | G1
