Flávio faz mais exigências e não quer abrir sigilos no TSE
Após quase vinte condições para atrasar entrega de dados, campanha bolsonarista insiste em travar contas no TSE a dias da eleição.

Núcleo editorial
Atualizado em 22 de outubro de 2026
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Em resumo
- Lula propôs no debate a abertura mútua de sigilos, mas a defesa de Flávio impôs quase 20 exigências prévias para liberar seus registros.
- A campanha bolsonarista cobra registros de visitas de Roberta Luchsinger e condicionou a entrega de seus dados à checagem prévia de papéis petistas.
- A equipe de Flávio escalou Deltan Dallagnol para vasculhar informações financeiras alheias, sem fixar prazo para concluir qualquer análise.
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A três dias do segundo turno da eleição presidencial, a disposição de Flávio Bolsonaro (PL) para exibir suas contas bancárias, fiscais e telefônicas encolhe no mesmo ritmo em que sua lista de obstáculos cresce. Desafiado publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o debate da Band, o candidato bolsonarista transformou a prometida transparência patrimonial em um labirinto de pré-requisitos para ganhar tempo.
Na quarta-feira, a campanha do PL apresentou quase duas dezenas de exigências prévias para abrir as contas do senador e de familiares, incluindo dados sobre 42 visitas de Roberta Luchsinger a repartições públicas federais, uso de cartões corporativos e voos oficiais. Mesmo com a coordenação de Lula aceitando as condições e marcando horário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22), a defesa de Flávio preferiu convocar uma entrevista coletiva no tribunal para avisar que nada sai do cofre sem uma checagem prévia.
O cardápio de condições para segurar os extratos
A disputa começou no debate de 18 de outubro, quando Lula desafiou Flávio a abrir seus registros telefônicos, tributários e financeiros, com reciprocidade imediata. Flávio aceitou diante das câmeras, mas logo colocou na mesa quase 20 exigências: cobrou quebras de sigilo de familiares de Lula, do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, além de dados sobre o Instituto Lula e agendas na Polícia Federal.
Para a própria prestação de contas, contudo, o senador reservou cautela seletiva. Flávio tratou de blindar a Alcazar Holdings — empresa na qual constava como “usuário master” —, com a alegação de que a firma pertence formalmente a seu aliado Willer Tomaz.
A campanha de Lula aceitou cumprir as contrapartidas exigidas e marcou horário no TSE às 11h desta quinta-feira. Em vídeo publicado nas redes sociais, o coordenador político da campanha petista, senador Camilo Santana (PT), anunciou que estaria na corte cobrando a palavra do adversário:
Hoje, quinta-feira, três dias apenas para as eleições. E nós vamos estar às 11 horas da manhã, no Tribunal Superior Eleitoral, aqui em Brasília, aguardando a representação da candidatura do Flávio Tesouraço, para saber se ele vai ter coragem de abrir o sigilo bancário, telefônico e fiscal, como fez o desafio do Presidente Lula. Camilo Santana, coordenador político da campanha de Lula
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A tática da checagem prévia e a volta de Dallagnol
No tribunal, a equipe jurídica do candidato bolsonarista evitou formalizar a entrega e preferiu esticar a corda diante dos microfones. A advogada Maria Claudia Bucchianeri afirmou que a apresentação dos documentos de Flávio segue atrelada ao que a campanha petista fornecer.
Se eles trouxerem tudo, a gente traz. Maria Claudia Bucchianeri, advogada da campanha de Flávio Bolsonaro
Questionada se a entrega das certidões bolsonaristas dependeria de uma análise anterior de tudo o que foi protocolado pela campanha adversária, a defensora confirmou a trava de forma direta: “Eu quero ver o que ele trouxe”.
Para coroar a manobra de protelação na reta final, a equipe de Flávio escalou o ex-procurador e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) para examinar as informações fiscais e bancárias de Lula e de colaboradores próximos. O anúncio não detalha procedimentos nem estipula prazo para a conclusão do trabalho. Sem entregar suas contas ao eleitor antes de domingo, a campanha bolsonarista prefere administrar o relógio e alimentar insinuações diárias até a abertura das urnas.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comCamilo Santana desafia Flávio Bolsonaro: “Vai ter coragem de abrir o sigilo?”
- 2. cartacapital.com.brCampanha de Flávio escolhe Deltan Dallagnol para examinar sigilo de Lula
- 3. poder360.com.brCampanha de Flávio quer registros de visitas de Luchsinger a órgãos
- 4. agenciabrasil.ebc.com.brLula aceita exigências de Flávio e marca troca de sigilos no TSE
