PF flagra pressão de Gusttavo Lima a Vorcaro por negócio de R$ 23 bi
Mensagens revelam que o cantor sertanejo cobrou agilidade do banqueiro preso para operar maquininhas em rede varejista antes de apoiar Flávio Bolsonaro.

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Em resumo
- Mensagens obtidas pela PF revelam que Gusttavo Lima propôs a Daniel Vorcaro movimentar R$ 23 bilhões no setor de pagamentos de rede de supermercados.
- A revelação veio à tona após o sertanejo gravar apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro queixando-se do custo de vida em frente a um jatinho executivo.
- Investigações da PF e do BC associam Vorcaro e o Grupo Entre a fraudes financeiras e a repasses milionários ligados à família Bolsonaro.
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Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) e obtidas pela Agência Pública revelam que o cantor sertanejo Gusttavo Lima pressionou o banqueiro Daniel Vorcaro a firmar uma operação para movimentar R$ 23 bilhões em um ano no fornecimento de máquinas de cartão de crédito. A proposta mirava a rede de supermercados Super BH, controlada pelo bilionário Pedro Lourenço, padrinho de casamento do artista. A revelação veio a público após Lima receber em sua residência o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), a quem declarou apoio político formal.
Nos diálogos mantidos entre julho de 2024 e novembro de 2025, o cantor cobra agilidade de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e detido desde março de 2026 na esteira da Operação Compliance Zero por suspeita de fraude financeira. Em 6 de novembro de 2024, Lima enviou tabelas de taxas e insistiu: “Vamos distribuir as maquininhas em cada loja física. 23 bi ano que vem é o movimento”. Sem resposta imediata, voltou à carga doze dias depois cobrando empenho comercial: “Vamos trabalhar, bb. Pelo amor de Deus. Focar”.
Discurso moralista e contradições de classe
O vazamento das negociações ocorre no mesmo momento em que Gusttavo Lima divulgou vídeo ao lado de Flávio Bolsonaro lamentando as dificuldades financeiras da população brasileira. Gravado no andar superior de sua propriedade, tendo ao fundo um jatinho particular executivo, o cantor reclamou que a população perdeu poder de compra e que “com R$ 100, você não faz nem um churrasco”.
Na mesma gravação, o sertanejo reconheceu o impacto transformador das políticas sociais do campo progressista em sua infância, ao admitir que só estudou graças ao Bolsa Escola e ao Bolsa Família, programas estruturados e ampliados durante os governos liderados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A menção foi rapidamente aproveitada por Flávio Bolsonaro para prometer a manutenção dos benefícios sociais, tentando amenizar o histórico de cortes e contingenciamentos executados durante a gestão de seu pai, Jair Bolsonaro.
O encontro na residência de Lima reuniu cerca de duas dúzias de expoentes masculinos do sertanejo, como Amado Batista, Murilo Huff e Zezé Di Camargo, evidenciando o alinhamento desse setor econômico do agronegócio e do entretenimento com o projeto da extrema direita.
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Fraudes no setor financeiro e laços políticos
As apurações conjuntas da PF e do Banco Central (BC) apontam que Vorcaro utilizava marcas de tecnologia financeira associadas ao Grupo Entre para transações opacas e lavagem de capitais. A fintech Entrepay, ligada ao empresário, foi liquidada extrajudicialmente pelo BC em março de 2026 após insolvência e quebra reiterada de normas regulatórias.
“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder do conglomerado, bem como por infringência às normas que disciplinam sua atividade e por prejuízos que sujeitam a risco seus credores.” Banco Central do Brasil, em comunicado oficial sobre as empresas do Grupo Entre
De acordo com a PF, o mesmo conglomerado foi responsável por viabilizar parcelas dos R$ 61 milhões solicitados por Flávio Bolsonaro a Vorcaro para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Além disso, o operador Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, firmou acordo de delação premiada perante a Procuradoria-Geral da República, admitindo ter movimentado R$ 1,3 bilhão para o banqueiro.
Embora os diálogos comprovem a insistência de Gusttavo Lima em viabilizar o acordo com o Super BH e suas tentativas de aproximar negócios com o digital Will Bank — também liquidado pelas autoridades reguladoras —, os relatórios policiais registram que não há confirmação documental de que o contrato de R$ 23 bilhões tenha entrado em vigor. As defesas do artista e do empresário não responderam aos questionamentos da reportagem.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. cartacapital.com.brBolsonarista, Gusttavo Lima pressionou Vorcaro por acordo para movimentar R$ 23 bilhões
- 2. iclnoticias.com.brBolsonarista, Gusttavo Lima pressionou Vorcaro por acordo para movimentar R$ 23 bilhões
- 3. apublica.orgBolsonarista, Gusttavo Lima pressionou Vorcaro por acordo para movimentar R$ 23 bilhões
