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Cobertura: Geopolítica

Bolsonaro cumpre profecia de transformar Brasil em Venezuela e vira o nosso Juan Guaidó

Após anos agitando o fantasma venezuelano, o bolsonarismo encarna a própria farsa: derrotado por Lula nas urnas, Flávio viaja aos EUA e tenta forjar uma presidência de internet.

BEM10 TV
Redação BEM10.TV

Núcleo editorial

Atualizado em 28 de outubro de 2026

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Em resumo

  • Flávio Bolsonaro descumpriu ordem do STF para reter passaportes, viajou aos EUA após derrota para Lula e ensaiou autoproclamação presidencial nas redes.
  • Horas após publicar carta chamando a si mesmo de presidente eleito, o senador recuou e editou o texto para se intitular apenas 'líder do Brasil'.
  • Washington informou apenas a emissão de vistos para a família, sem especificar modalidade e sem conceder asilo ou status de representação estatal.

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Durante quase uma década, o mantra favorito da extrema direita brasileira foi alertar que o país inevitavelmente se transformaria na Venezuela caso o campo progressista governasse. Bastou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencer as eleições de outubro de 2026, com uma frente de 4,4 milhões de votos referendada com segurança pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para que o clã Bolsonaro resolvesse concretizar a profecia às avessas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou para os Estados Unidos e inaugurou a versão brasileira do desgastado teatro de Juan Guaidó.

A ópera-bufa começou a se desenhar quando o filho de Jair Bolsonaro simplesmente ignorou a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes brasileiros no âmbito de investigações sobre suposta lavagem de dinheiro ligadas a casas de apostas e ao advogado Willer Tomaz. Em vez de prestar contas à Polícia Federal no prazo estipulado, Flávio desembarcou em território norte-americano, valendo-se de sua cidadania italiana.

A autoproclamação relâmpago que virou edição de post

Instalado no exterior, Flávio decidiu ensaiar o mesmo roteiro que Guaidó protagonizou em Caracas no início de 2019, quando o então deputado venezuelano se declarou presidente interino — gesto prontamente aplaudido, à época, por Donald Trump e pelo próprio governo Jair Bolsonaro. Em uma carta divulgada nas redes sociais nesta quarta-feira (28), Flávio acusou suposta fraude sem apresentar provas e se proclamou como "verdadeiro presidente do Brasil" e "presidente eleito".

A valentia durou o tempo de um recuo vexatório. Em uma segunda leva de imagens postadas, as menções a presidente deram lugar ao rótulo genérico de "líder", revelando o improviso de quem tenta inflamar militantes enquanto calcula o peso do Código Penal.

Para justificar o inconformismo com as urnas, o senador alegou uma suposta "impossibilidade matemática" decorrente da decisão do ministro Cristiano Zanin, que estendeu em duas horas a votação no último domingo em razão de falhas em transportes e condições climáticas. O detalhe inconveniente para a narrativa bolsonarista é factual: a própria campanha de Flávio havia solicitado a prorrogação, e o horário estendido registrou menos de 35 mil votos em todo o território nacional — uma fração irrelevante diante da vitória maiúscula e legítima de Lula por mais de 4,4 milhões de sufrágios.

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Isolamento político e a distância entre a farsa e o poder

Se Guaidó ao menos conseguiu, em 2019, o reconhecimento formal de dezenas de nações e o controle temporário de ativos no exterior antes de ver sua autoridade paralela ser dissolvida pela própria oposição em 2022, a paródia de Flávio nasce isolada até dentro de sua legenda. O Partido Liberal, presidido por Valdemar Costa Neto, apressou-se em emitir nota reconhecendo o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.

"A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno." Flávio Bolsonaro, em carta divulgada nas redes sociais

A resposta internacional também expõe o abismo entre o devaneio de exílio e a realidade institucional. Uma autoridade do Departamento de Estado norte-americano limitou-se a confirmar que emitirá vistos a Flávio Bolsonaro e familiares e permitirá a entrada deles, ressalvando expressamente que não informou a modalidade dos documentos nem confirmou concessão de asilo ou qualquer condição de representação do governo brasileiro.

Enquanto Lula consolida seu governo com respaldo popular e pleno reconhecimento das instituições e da comunidade internacional, o bolsonarismo expõe seu esgotamento, revelando que o espantalho venezuelano que tanto agitava servia, no fim das contas, de roteiro para a própria recusa em aceitar a soberania do voto popular.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. diariodocentrodomundo.com.brFlávio quer ser o Juan Guaidó brasileiro: entenda as diferenças entre os dois
  2. 2. revistaforum.com.brQuem é Juan Guaidó, o ex-presidente autoproclamado da Venezuela que fracassou e inspirou Flávio - Revista Fórum
  3. 3. g1.globo.comFlávio Bolsonaro se diz
  4. 4. urbsmagna.comFlávio Bolsonaro quer ser o Guaidó brasileiro, mas o mundo já reconheceu Lula » Urbs Magna