Pular para o conteúdo
Cobertura: Política brasileiraRevisado no portal em

Vídeo de origem publicado em .

Flávio Bolsonaro: muito barulho, pouca liderança

Uma carta pode anunciar a pretensão de comandar a oposição. Não pode, sozinha, construir essa liderança.

Dimitri Sales
Dimitri Sales

Colunista

3 min de leitura

Retrato do senador Flávio Bolsonaro
O senador pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro — Agência Senado. Wikimedia Commons · CC BY

Ouça esta leitura

Duração disponível ao iniciar

Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

A voz natural está indisponível para este artigo. A alternativa usa a voz deste navegador, que pode soar diferente.

Flávio Bolsonaro parece não ter decidido qual papel pretende desempenhar. Na leitura que faço de sua carta, reivindica para si a Presidência e, ao mesmo tempo, anuncia que vai liderar a oposição. Afinal, qual das duas posições ele imagina ocupar?

A contradição revela, na minha avaliação, a desorientação de quem tenta transformar uma derrota eleitoral em uma proclamação pessoal. Como observo no vídeo que deu origem a este artigo, até o brasão utilizado no documento, com a antiga inscrição “Estados Unidos do Brazil”, contribui para uma encenação de solenidade que não resolve o problema central: liderança política não nasce de uma declaração.

Os agradecimentos a Donald Trump, Javier Milei e ao povo norte-americano fazem parte dessa tentativa de projetar prestígio. Mas estar nos Estados Unidos não confere, por si só, relevância internacional nem autoridade sobre a oposição brasileira. Uma coisa é citar presidentes em uma carta. Outra é construir uma articulação e conseguir que aliados sigam uma orientação comum.

O mesmo vale para as referências a Ruy Barbosa, Charles de Gaulle e María Corina Machado. Evocar personagens conhecidos não transforma automaticamente a própria trajetória em um acontecimento histórico. A comparação pode servir ao discurso, mas não oferece um caminho político convincente.

Flávio procura apresentar sua saída do Brasil como uma trajetória de perseguição e resistência. É uma narrativa que precisa ser examinada criticamente, sobretudo quando tenta lançar dúvidas sobre o resultado eleitoral. Acusações dessa natureza exigem demonstração, não apenas repetição em cartas e vídeos.

Também não basta anunciar que se comandará a oposição do exterior. Liderar exige presença, negociação e construção cotidiana. Exige reunir interesses distintos, assumir responsabilidades e participar das decisões. A distância pode favorecer o discurso para as redes, mas não substitui esse trabalho.

Carregando enquete…

Na minha leitura, Flávio se afasta justamente do espaço em que precisaria construir a liderança que reivindica. Poderá divulgar novas cartas, fazer declarações e buscar atenção internacional. Isso não significa que conseguirá converter visibilidade em comando político.

Como seu irmão Eduardo, corre o risco de se tornar cada vez mais distante das decisões que pretende influenciar. Fazer barulho e liderar não são a mesma coisa.

Flávio quer se apresentar como o centro da oposição. Na minha avaliação, caminha para virar carta fora do baralho.

Texto adaptado das legendas do vídeo de Dimitri Sales, com organização editorial.

Comentários

Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.

Espaço dos membros

Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.

A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.

Quero ser membro

Carregando comentários…