EUA é que mandou Flávio Bolsonaro apagar carta de 'presidente eleito'
Acomodado nos Estados Unidos após ser derrotado por Lula nas urnas, senador teve de reescrever manifesto quatro vezes depois de a Casa Branca barrar o delírio.

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Em resumo
- O governo dos EUA exigiu que Flávio Bolsonaro retirasse de carta a alegação de ser o 'verdadeiro presidente eleito' para evitar crise com o Brasil.
- Derrotado por Lula por mais de 4,4 milhões de votos, o senador viajou a Miami e alterou o texto quatro vezes até se rebaixar a líder oposicionista.
- Donald Trump lavou as mãos para o aliado, avisou que não vai se intrometer e lembrou que se dá muito bem com o presidente Lula.
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Não durou nem o tempo de uma conexão aérea o sonho de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de governar um Brasil imaginário a partir da Flórida. Depois de ser derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo (25/10), o senador desembarcou em Miami e resolveu assinar um manifesto distribuído à imprensa internacional em que se apresentava solenemente como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A pose durou até a diplomacia de Washington puxar o freio de mão do comício miamiense.
Informado sobre a presepada, o governo dos Estados Unidos enquadrou o senador e pediu expressamente a exclusão de qualquer menção a “presidente eleito”. A diplomacia norte-americana percebeu rápido demais o embaraço: acolher um parlamentar fujão com visto humanitário é uma coisa; fingir que ele comanda um Estado soberano seria assinar um rompimento institucional com o governo legítimo de Lula — algo que não passa pela cabeça da Casa Branca.
Quatro versões para tentar disfarçar o tombo
A desautorização pública obrigou Flávio a uma humilhante sessão de edição textual em tempo real. Ao longo de poucas horas na quarta-feira (28/10), o documento passou por nada menos que quatro versões. Na primeira, o senador chegou ao requinte de resgatar um brasão arcaico com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”. Corrigida a gafite heráldica, sobrou o delírio golpista de reivindicar o Palácio do Planalto.
Com o puxão de orelha do Departamento de Estado, a empáfia murchou. O “presidente eleito” deu lugar a “líder do Brasil” e, finalmente, ao modesto posto autoconcedido de “líder da oposição brasileira nos Estados Unidos”.
Para completar a sequência de recuos, uma entrevista coletiva convocada com estardalhaço para esta quinta-feira (29/10), em Miami, foi cancelada sem explicações convincentes logo após o veto americano.
Trump lava as mãos e elogia Lula
Se Flávio esperava encontrar em Donald Trump um general para sua quartelada de papel, recebeu apenas tapinhas condescendentes nas costas e uma porta fechada na cara. Perguntado sobre a movimentação do hóspede brasileiro, Trump foi cirúrgico em seu desinteresse prático:
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“Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certeza.” — Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Nos bastidores, analistas como Michael Paarlberg, ex-assessor para assuntos latino-americanos, resumiram com precisão o pragmatismo da extrema direita global: Trump sente o cheiro de derrotados à distância e prefere dialogar com o poder real. Para desgosto dos conspiradores exilados, o republicano fez questão de registrar que gosta de Lula e se dá muito bem com o mandatário brasileiro.
A tentativa de contestar a consagração popular de Lula esbarra na matemática e na legalidade. O presidente foi reeleito com 64,2 milhões de votos (51,79% dos votos válidos), abrindo uma vantagem cristalina de mais de 4,4 milhões de sufrágios sobre Flávio. A lisura do pleito foi atestada por observadores internacionais, chancelada pelo Tribunal Superior Eleitoral e reconhecida até mesmo pelo PL de Valdemar Costa Neto.
Como sintetizou o assessor especial Celso Amorim, o bolsonarismo acumula agora duas derrotas presidenciais seguidas e colhe o isolamento de quem tenta vender golpe no atacado e acaba barrado até na alfândega do próprio aliado.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. diariodocentrodomundo.com.brVÍDEO - Anitta faz piada com carta golpista de Flávio Bolsonaro: "Me autodeclaro sem celulite”
- 2. operamundi.uol.com.br'Não vou me envolver', diz Trump sobre carta de Flávio Bolsonaro
- 3. revistaforum.com.brTrump teria mandado Flávio Bolsonaro tirar da carta que era "presidente eleito" - Revista Fórum
- 4. g1.globo.comEUA pediram a Flávio Bolsonaro que retirasse de carta trecho em que se dizia ‘presidente eleito’ | G1
