Balança comercial e exportações brasileiras batem recorde e superávit salta 40% em outubro, acima das projeções
Com salto de 39,4% puxado pelo óleo bruto, superávit atinge US$ 9,3 bilhões em outubro e desmente o pessimismo da Faria Lima.

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Em resumo
- A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,3 bilhões em outubro de 2026, alta de 39,4% na comparação anual.
- O petróleo bruto puxou o resultado histórico com salto de 122,6% em valor arrecadado, tornando-se o principal item da pauta exportadora.
- Mesmo sob as tarifas punitivas de Donald Trump, as vendas aos Estados Unidos dispararam 87%, com US$ 1,3 bilhão em óleo nacional.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
Para desespero dos profetas de plantão da Faria Lima, que passam os dias prevendo o colapso das contas externas e cobrando austeridade sobre a mesa do trabalhador, o comércio exterior brasileiro cravou mais uma marca histórica. Os dados divulgados na sexta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que a balança comercial registrou em outubro um superávit de US$ 9,3 bilhões — um salto de 39,4% sobre o mesmo mês de 2025.
O número estabelece a maior marca nominal para o mês desde o início da série histórica em 1989. O saldo positivo veio da soma de US$ 37,8 bilhões em vendas externas frente a US$ 28,5 bilhões em importações. Enquanto os manuais neoliberais recomendam subserviência comercial, o Brasil colheu no décimo mês do ano uma corrente de comércio recorde de US$ 66,3 bilhões, superando a projeção mediana de US$ 9 bilhões traçada por agentes financeiros em levantamento da Reuters.
O petróleo que Washington precisa comprar
O motor absoluto do desempenho recorde não veio de nenhuma concessão graciosa, mas da exploração de óleo bruto. Os embarques de petróleo avançaram 122,6% em valor e 62,9% em volume no comparativo anual, consolidando a commodity como o principal produto da pauta brasileira. Entre janeiro e outubro, o setor faturou nada menos que US$ 51,5 bilhões.
O Brasil tem se consolidado como um importante fornecedor de petróleo em um cenário de restrição da oferta mundial, investindo em produção. Isso faz com que tenhamos capacidade de oferta para suprir a demanda global em um cenário de preço elevado. — Herlon Alves Brandão, diretor de estatísticas do Mdic
A conjuntura internacional jogou contra o discurso fácil dos adversários do governo. Com a oferta no golfo Pérsico ainda deprimida pelo conflito envolvendo o Irã e os estoques estratégicos norte-americanos rebaixados, o barril do tipo Brent subiu de US$ 102 para US$ 107,9 entre setembro e outubro. Resultado: a Casa Branca, sob a gestão beligerante de Donald Trump, viu suas refinarias correrem atrás do óleo nacional.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos dispararam 87% em outubro, somando US$ 4,32 bilhões. Somente as aquisições de petróleo bruto saltaram de US$ 195 milhões para US$ 1,3 bilhão em doze meses, respondendo por mais da metade da expansão para aquele destino. Nem mesmo o tarifaço unilateral imposto por Washington em julho conteve a necessidade que o mercado ianque tem dos recursos energéticos do Sul Global.
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Diversificação produtiva e soberania interna
Além de dobrar as vendas aos norte-americanos, o comércio brasileiro expandiu em 32% as exportações para a União Europeia, atingindo US$ 6,04 bilhões no mês. De acordo com a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, o país comprovou sua capacidade de sustentação externa: “Num cenário marcado por tensões geopolíticas, o Brasil se mostra como um fornecedor confiável de energia e alimentos”.
A performance positiva não se resumiu aos combustíveis. A agropecuária registrou alta de 12,8% nos embarques externos, impulsionada por soja e café não torrado. Na indústria de transformação, o crescimento foi de 7,7%, acompanhado pelo avanço de 25,8% na celulose e de mais de 200% nas vendas de carne bovina para o mercado estadunidense.
Para impedir que a disparada internacional desabasteça o parque nacional, o governo agiu com prudência: a Câmara de Comércio Exterior (Camex) manteve a cobrança de 12% do Imposto de Exportação sobre o óleo bruto até o fim de dezembro. A medida assegura a carga das refinarias locais e o mercado interno, provando que é possível lucrar no tabuleiro global sem rifar a soberania energética do país.
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Fontes desta notícia
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