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Cobertura: Política brasileira

Do palácio à prisão: Peña sofre impeachment e é detido no Paraguai

Após a quebra de banco digital com US$ 850 milhões em dinheiro público, presidente é destituído pelo Senado e tem prisão domiciliar ordenada pelo Ministério Público.

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Redação BEM10.TV

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Em resumo

  • Senado destituiu Santiago Peña da Presidência da República com 44 votos a favor após tentativa frustrada de renúncia para garantir foro.
  • Ministério Público paraguaio ordenou a prisão domiciliar de Peña e do ex-presidente do Banco Central para tomada de depoimentos.
  • O Ueno Bank concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas da previdência e das hidrelétricas binacionais.

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Imagem da reportagem de cnnbrasil.com.br: Santiago Peña é preso pela polícia do Paraguai após impeachment | CNN Brasil
Presidente destituído deve cumprir prisão domiciliar; medida acontece horas após o senado aprovar o impeachment — Reprodução/cnnbrasil.com.br. Página-fonte

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

A cartilha neoliberal costuma vender a ilusão de que colocar banqueiros e operadores de mercado no comando do Estado garante eficiência e modernização. A realidade em Assunção, no entanto, entregou o desfecho costumeiro desse roteiro: rombo bilionário com recursos do povo e a polícia na porta do governante. Nesta sexta-feira (6 de novembro de 2026), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, perdeu o mandato em um julgamento político relâmpago conduzido pelo Senado e, poucas horas após a destituição, teve prisão domiciliar decretada pelo Ministério Público para responder a investigações sobre o colapso financeiro que abalou o país.

O político do Partido Colorado ainda tentou uma manobra desesperada: apresentou uma carta de renúncia na tentativa de evitar o julgamento político e tentar se abrigar nas prerrogativas de senador vitalício. A articulação ruiu porque deputados governistas esvaziaram o plenário da Câmara e a sessão caiu por falta de quórum. Sem a renúncia validada, o Senado abriu a votação e aprovou a perda definitiva do mandato presidencial por 44 votos a favor, abrindo caminho para a responsabilização de Peña e a posse imediata do vice-presidente Pedro Alliana.

O tombo do Ueno Bank e a sangria do dinheiro público

A derrocada começou com a dissolução do Ueno Bank pelo Banco Central do Paraguai, determinada no início da semana. Maior banco digital do país, com quase 3 milhões de correntistas — o equivalente a cerca de 40% da população paraguaia —, a instituição privada quebrou após o órgão regulador constatar um índice de solvência inferior à metade do piso legal exigido, congelando contas e travando o acesso de correntistas ao próprio dinheiro.

As digitais do presidente destituído no conglomerado estavam registradas no próprio histórico patrimonial. Peña declarou ter sido acionista da Ueno Holding — participação que alienou apenas no início de 2025, já em pleno exercício do mandato presidencial — e mantinha depósitos milionários na instituição. A oposição parlamentar, em acusação formal subscrita por 35 deputados, denunciou que o governo alterou a legislação de conflito de interesses e canalizou aportes estatais vultosos acima dos limites legais para irrigar o banco de antigos sócios.

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Da blindagem fracassada à prisão domiciliar

Logo após a perda do mandato no Senado, agentes da Polícia Nacional foram à residência de Peña em Assunção. A ordem de prisão foi emitida por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção, determinando que o ex-presidente permaneça em prisão domiciliar até ser colocado à disposição dos investigadores. O mandado alcançou também o ex-presidente do Banco Central Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, alvo de denúncia por protelar medidas regulatórias mesmo ciente da gravidade do quadro financeiro.

O impacto social do arranjo que colocou os cofres públicos a serviço do mercado financeiro foi resumido pela oposição parlamentar na Câmara dos Deputados, momentos antes da formalização do pedido de impeachment:

"Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou." — Rocío Vallejo, deputada oposicionista no Paraguai, na Câmara dos Deputados

Oito executivos da cúpula do banco já haviam sido detidos nos dias anteriores, período marcado pela apreensão de jatos, iates e veículos de luxo. Sem mandato, sem a blindagem parlamentar pretendida e agora sob investigação criminal preliminar por fraude, tráfico de influência e corrupção, Peña encerra sua passagem pelo Palácio de López isolado e sob custódia policial.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasil247.comSenado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña
  2. 2. metropoles.comSenado do Paraguai aprova impeachment do presidente Santiago Peña
  3. 3. g1.globo.comSantiago Peña, ex-presidente do Paraguai, é preso em Assunção | G1
  4. 4. cnnbrasil.com.brSantiago Peña é preso pela polícia do Paraguai após impeachment | CNN Brasil