Do palácio à prisão: Peña sofre impeachment e é detido no Paraguai
Após a quebra de banco digital com US$ 850 milhões em dinheiro público, presidente é destituído pelo Senado e tem prisão domiciliar ordenada pelo Ministério Público.

Núcleo editorial
Leitura rápida
Em resumo
- Senado destituiu Santiago Peña da Presidência da República com 44 votos a favor após tentativa frustrada de renúncia para garantir foro.
- Ministério Público paraguaio ordenou a prisão domiciliar de Peña e do ex-presidente do Banco Central para tomada de depoimentos.
- O Ueno Bank concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas da previdência e das hidrelétricas binacionais.
4 min de leitura

Ouça esta leitura
Duração disponível ao iniciar
Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A cartilha neoliberal costuma vender a ilusão de que colocar banqueiros e operadores de mercado no comando do Estado garante eficiência e modernização. A realidade em Assunção, no entanto, entregou o desfecho costumeiro desse roteiro: rombo bilionário com recursos do povo e a polícia na porta do governante. Nesta sexta-feira (6 de novembro de 2026), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, perdeu o mandato em um julgamento político relâmpago conduzido pelo Senado e, poucas horas após a destituição, teve prisão domiciliar decretada pelo Ministério Público para responder a investigações sobre o colapso financeiro que abalou o país.
O político do Partido Colorado ainda tentou uma manobra desesperada: apresentou uma carta de renúncia na tentativa de evitar o julgamento político e tentar se abrigar nas prerrogativas de senador vitalício. A articulação ruiu porque deputados governistas esvaziaram o plenário da Câmara e a sessão caiu por falta de quórum. Sem a renúncia validada, o Senado abriu a votação e aprovou a perda definitiva do mandato presidencial por 44 votos a favor, abrindo caminho para a responsabilização de Peña e a posse imediata do vice-presidente Pedro Alliana.
O tombo do Ueno Bank e a sangria do dinheiro público
A derrocada começou com a dissolução do Ueno Bank pelo Banco Central do Paraguai, determinada no início da semana. Maior banco digital do país, com quase 3 milhões de correntistas — o equivalente a cerca de 40% da população paraguaia —, a instituição privada quebrou após o órgão regulador constatar um índice de solvência inferior à metade do piso legal exigido, congelando contas e travando o acesso de correntistas ao próprio dinheiro.
As digitais do presidente destituído no conglomerado estavam registradas no próprio histórico patrimonial. Peña declarou ter sido acionista da Ueno Holding — participação que alienou apenas no início de 2025, já em pleno exercício do mandato presidencial — e mantinha depósitos milionários na instituição. A oposição parlamentar, em acusação formal subscrita por 35 deputados, denunciou que o governo alterou a legislação de conflito de interesses e canalizou aportes estatais vultosos acima dos limites legais para irrigar o banco de antigos sócios.
Carregando enquete…
Da blindagem fracassada à prisão domiciliar
Logo após a perda do mandato no Senado, agentes da Polícia Nacional foram à residência de Peña em Assunção. A ordem de prisão foi emitida por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção, determinando que o ex-presidente permaneça em prisão domiciliar até ser colocado à disposição dos investigadores. O mandado alcançou também o ex-presidente do Banco Central Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, alvo de denúncia por protelar medidas regulatórias mesmo ciente da gravidade do quadro financeiro.
O impacto social do arranjo que colocou os cofres públicos a serviço do mercado financeiro foi resumido pela oposição parlamentar na Câmara dos Deputados, momentos antes da formalização do pedido de impeachment:
"Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou." — Rocío Vallejo, deputada oposicionista no Paraguai, na Câmara dos Deputados
Oito executivos da cúpula do banco já haviam sido detidos nos dias anteriores, período marcado pela apreensão de jatos, iates e veículos de luxo. Sem mandato, sem a blindagem parlamentar pretendida e agora sob investigação criminal preliminar por fraude, tráfico de influência e corrupção, Peña encerra sua passagem pelo Palácio de López isolado e sob custódia policial.
Comentários
Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.
Espaço dos membros
Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.
A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.
Carregando comentários…
Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comSenado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña
- 2. metropoles.comSenado do Paraguai aprova impeachment do presidente Santiago Peña
- 3. g1.globo.comSantiago Peña, ex-presidente do Paraguai, é preso em Assunção | G1
- 4. cnnbrasil.com.brSantiago Peña é preso pela polícia do Paraguai após impeachment | CNN Brasil
