Pular para o conteúdo
Cobertura: Política brasileira

Cleitinho barra repasse a clubes e gera debate sobre rótulos políticos

Governador eleito de MG suspendeu R$ 32 milhões de estatais no futebol e defendeu pautas populares, sendo chamado de socialista nas redes.

BEM10 TV
Redação BEM10.TV

Núcleo editorial

Leitura rápida

Em resumo

  • TCE-MG suspendeu patrocínio de R$ 32 milhões da Codemig e Cemig a clubes após pedido de Cleitinho Azevedo.
  • Governador eleito apoiou pautas do governo federal como o fim da escala 6x1 e o programa Gás do Povo.
  • Cleitinho se declara de direita e com consciência de classe, enquanto sustenta pautas conservadoras e de Estado menor.

4 min de leitura

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Na ordem do dia, projeto que garante seguro-desemprego a atingidos por catástrofes naturais e desastres ambientais provocados por atividade empresarial. Pelo texto, o pagamento não será cumulativo com outros benefícios. O valor será c
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Na ordem do dia, projeto que garante seguro-desemprego a atingidos por catástrofes naturais e desastres ambientais provocados por atividade empresarial. Pelo texto, o pagamento não será cumulativo com outros benefícios. O valor será custeado por empresas que exercem atividades de alto risco ambiental. Em pronunciamento, à bancada, senador Cleitinho (Republicanos-MG). — Agência Senado from Brasilia, Brazil. Wikimedia Commons · CC BY

Ouça esta leitura

Duração disponível ao iniciar

Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), virou alvo de debates nas redes sociais após atuar para barrar um repasse de verba pública a clubes de futebol do estado. A pedido dele, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) suspendeu contratos de patrocínio que somavam R$ 32 milhões da Cemig e da Codemig, empresas estatais mineiras, destinados a equipes esportivas locais. A iniciativa gerou reações entre apoiadores e opositores, com menções que o chamaram de "socialista" e "camarada".

O repasse havia sido anunciado pelo atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), com a justificativa de compensar perdas de receita após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar uma medida provisória que proibiu o funcionamento de empresas de apostas eletrônicas no país. Ao contestar os contratos com as estatais, Cleitinho argumentou publicamente que a administração estadual possui outras prioridades para a alocação de recursos públicos.

Pautas trabalhistas e contradições com a base conservadora

Apesar de se autodefinir como político de direita, ter apoiado a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e pregar a tese liberal de um "Estado menor" na economia, Cleitinho tem acumulado votos favoráveis e posicionamentos alinhados a bandeiras históricas do campo progressista. O senador apoiou expressamente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6x1, aprovada pelo Senado Federal em outubro — matéria encampada pela esquerda e celebrada como um avanço pelo governo federal.

Em entrevista ao jornal O Estado de Minas, Cleitinho justificou seu voto com base em sua trajetória antes da política institucional, quando trabalhava no comércio de rua com a família:

"Quando eu estava no varejão, que eu trabalhava com a minha família, eu trabalhava de segunda a segunda, 7×7. Eu estou fazendo isso, eu defendo muito [o fim da 6×1], porque, desde que eu me entendo por gente, nunca vi o meu pai… Meu prazer quando tive a oportunidade de ter um salário melhor foi poder dar um descanso para o meu pai. E na hora que eu fui dar esse descanso, o meu pai morreu. Eu passei por isso. Eu sei o que é trabalhar 7×7. Estou fazendo isso pelo meu pai, porque eu não o vi descansar."

Na mesma declaração, Cleitinho confrontou abertamente parlamentares conservadores contrários ao projeto. Ele apontou privilégios do Congresso, como planos de saúde vitalícios, salários de R$ 40 mil e rotinas de plenário de apenas dois dias semanais, contrastando com a remuneração de R$ 1.600 paga aos trabalhadores que cumprem jornadas extenuantes.

Carregando enquete…

Discurso de apaziguamento e pauta conservadora

Diante da repercussão nas plataformas digitais, a assessoria do governador eleito informou, em nota, que ele "sempre deixou claro que é de direita, mas que foi eleito para governar para todos os mineiros", acrescentando que o foco deve ser apoiar o que melhora a vida da população, acima de divisões ideológicas. Em resposta direta a internautas que apontavam sua aproximação com teses da esquerda, o senador negou a classificação ideológica e sustentou a busca por equilíbrio, afirmando que pretende governar sem divisão entre lados.

No dia do segundo turno das eleições nacionais, o político adotou fala de pacificação e sugeriu que apoiadores de Lula e de Flávio Bolsonaro se abraçassem. Ao mesmo tempo, sua trajetória preserva traços característicos do conservadorismo bolsonarista: posicionou-se contra a descriminalização do aborto em debate no Supremo Tribunal Federal, votou contra o uso de câmeras corporais em policiais militares, defende a redução da maioridade penal e apoia a anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Cleitinho foi eleito para o Palácio Tiradentes em primeiro turno com 6.321.590 votos (55,40% dos válidos), superando o deputado federal Patrus Ananias (PT). Seu mandato como governador terá início em 2027.

Comentários

Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.

Espaço dos membros

Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.

A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.

Quero ser membro

Carregando comentários…

Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. g1.globo.comPor que Cleitinho foi chamado de socialista nas redes sociais? | G1
  2. 2. veja.abril.com.brA resposta de Cleitinho, governador eleito de MG, ao ser chamado de ‘esquerdista’