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Cobertura: Política brasileira

Com patrocínio do UENO Bank, Eduardo Bolsonaro e Javier Milei podem estar por trás da onda de influencers que anunciavam Paraguai como Terra Prometida

Ueno Bank, que patrocinou gala conservadora com Eduardo Bolsonaro na Flórida, é liquidado e atinge 3 milhões de clientes.

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Redação BEM10.TV

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Em resumo

  • O Banco Central do Paraguai liquidou o Ueno Bank por insolvência severa, bloqueando depósitos de cerca de 3 milhões de correntistas.
  • A instituição figurou como patrocinadora Diamond de evento com Eduardo Bolsonaro nos EUA; a cota de tabela era de US$ 100 mil.
  • O colapso atinge a propaganda da extrema direita que vendia o Paraguai nas redes como refúgio contra o governo federal brasileiro.

4 min de leitura

Imagem relacionada a: O Éden quebrou: banco ligado a Eduardo Bolsonaro colapsa
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

Durante meses, setores da extrema direita brasileira venderam o Paraguai como a terra prometida da desregulamentação absoluta: um refúgio sem encargos trabalhistas e sem tributos, sob medida para empresários descontentes com a agenda de valorização do trabalho no Brasil de Lula. A fantasia, porém, ruiu onde o discurso neoliberal sempre costuma tropeçar: na insolvência bancária e nas portas fechadas com o patrimônio da população preso lá dentro.

Na primeira semana de novembro de 2026, o Banco Central do Paraguai decretou a intervenção e o processo de resolução do Ueno Bank, após constatar que seu índice de solvência afundou para menos da metade do mínimo exigido por lei. A suspensão de transferências e saques atinge cerca de 3 milhões de clientes — quase 40% da população paraguaia — e congelou entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo aproximadamente US$ 380 milhões do Instituto de Previdência Social, a poupança previdenciária dos trabalhadores locais.

Gala de luxo em Mar-a-Lago com cota Diamond

Enquanto a saúde financeira da instituição ruía em Assunção, a marca do Ueno Bank brilhava em convescotes da direita internacional. Em 10 de fevereiro de 2026, o banco figurou como patrocinador na categoria Diamond da Hispanic Prosperity Gala, realizada no resort Mar-a-Lago, de Donald Trump, na Flórida. Na tabela oficial da organizadora Latino Wall Street, a cota Diamond era oferecida por US$ 100 mil (cerca de R$ 500 mil), embora o valor efetivamente desembolsado pela entidade financeira não tenha sido divulgado.

Eduardo Bolsonaro foi uma das presenças centrais da noite. Posou diante do painel estampado com o logotipo do Ueno e entregou uma homenagem ao consultor político argentino Fernando Cerimedo, conhecido por divulgar alegações infundadas sobre o processo eleitoral brasileiro em 2022. Na ocasião, Eduardo foi às redes festejar o encontro:

"Foi inspirador conversar com embaixadores, autoridades e amigos de língua espanhola, todos confiantes em um futuro de liberdade." — Eduardo Bolsonaro, nas redes sociais

A conta da confraternização entre operadores da extrema direita terminou em crise aberta: as autoridades do Paraguai determinaram a prisão de oito pessoas, incluindo dirigentes bancários, e a oposição no Congresso de lá encampou pedidos de impeachment contra o presidente Santiago Peña, cujos ex-sócios controlavam o banco. No Brasil, o deputado Alencar Santana (PT-SP) denunciou o episódio na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

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A falácia do 'paraíso' sem CLT

O tombo do Ueno Bank rebate em cheio a onda de propaganda difundida nas redes brasileiras. Canais como Conexão Política e perfis como Imigra Paraguai passaram meses impulsionando conteúdos com jingles conservadores e promovendo o país vizinho como um Éden livre de direitos sociais, buscando convencer empresários a abandonar o Brasil.

Estimulados por essa narrativa, 28.049 brasileiros receberam autorizações de residência temporária ou permanente no Paraguai entre janeiro e agosto, segundo registros da Direção de Migrações paraguaia. Centenas de pessoas chegaram a acampar em mutirões de fronteira organizados pelo próprio governo paraguaio em Ciudad del Este, conforme registrado em reportagem da BBC News Brasil, atraídas pela ilusão de enriquecimento fácil e redução drástica de encargos.

Os vídeos em circulação, contudo, omitiam deliberadamente o outro lado da moeda: um país com informalidade de 60%, greves recorrentes na saúde pública por falta de medicamentos básicos e um sistema bancário vulnerável a crises de solvência. Não há elementos comprobatórios de que Eduardo Bolsonaro tenha contratado o Ueno Bank para custear a ação dos influenciadores de migração; a sintonia, contudo, é política: enquanto a extrema direita lucra politicamente atacando as redes de proteção social do governo Lula, a realidade material das praças sem regulação cobra seu preço.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. cartacapital.com.brBanco paraguaio que quebrou patrocinou evento da extrema-direita com Eduardo Bolsonaro
  2. 2. revistaforum.com.brBanco pivô de escândalo financeiro no Paraguai patrocinou evento com Eduardo Bolsonaro em Mar-a-Lago - Revista Fórum
  3. 3. midianinja.orgParaguai: o Éden dos conservadores brasileiros - Mídia NINJA
  4. 4. bbc.comOs brasileiros em busca do sonho paraguaio: 'A gente não está aguentando o Brasil' - BBC News Brasil