Juiz descobre no plantão a rotina de violência que mulheres já conhecem
Em Goiás, magistrado vai às redes alertar para a explosão de agressões domésticas, enquanto o estado bate recordes trágicos.

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
Foi preciso enfrentar a escala dos plantões judiciais para que o juiz Pedro Paulo Oliveira, titular da 5ª Vara Cível de Anápolis, chegasse a uma constatação que qualquer mulher brasileira compreende há séculos: a violência de gênero não para de crescer. Em vídeo divulgado em seu perfil no Instagram, o magistrado classificou o fluxo ininterrupto de ocorrências como “triste e preocupante”, desabafando sobre a rotina de ameaças, humilhações e agressões físicas e patrimoniais que batem à porta do tribunal.
O espanto compartilhado nas redes sociais expõe a distância habitual entre as formalidades do Judiciário e o cotidiano brutal das ruas. Ao cobrar a união de forças entre Ministério Público, polícias e governos, Pedro Paulo destacou o óbvio que setores conservadores costumam varrer para baixo do tapete: ainda que haja exceções pontuais, a imensa maioria dos atos violentos parte de homens contra mulheres. Na mensagem, pediu que a indignação não fique confinada às palavras.
Nas estatísticas, a indignação retórica há tempos perde a corrida para a impunidade. Conforme reportou o Metrópoles com dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, as tentativas de feminicídio no estado saltaram 65,1% entre 2020 e 2025, passando de 129 para 213 registros anuais. No mesmo intervalo, os descumprimentos de medidas protetivas quase triplicaram, saltando de 1.598 para 4.609.
O desfecho dessa cadeia de negligências tem endereço certo: 73% dos assassinatos de mulheres registrados em solo goiano em 2025 ocorreram dentro de suas próprias casas. Em 2026, o cenário conseguiu se deteriorar ainda mais rápido, acumulando 62 feminicídios até o início de novembro e superando todo o total do ano anterior. O desabafo do juiz viraliza como apelo institucional, mas o recorde de sangue evidencia que cartilhas e discursos continuam falhando na proteção à vida.
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Fontes desta notícia
A publicação original comprova o que foi dito. As demais fontes verificam contexto e alegações.
