Musk gasta US$ 445 milhões nos EUA e vê aliados perderem 62 disputas
Bilionário despejou fortuna em comitês republicanos no pleito de 2026, mas sofreu derrota acachapante na maioria das disputas, incluindo o Senado no Texas.

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Em resumo
- Elon Musk doou US$ 445,6 milhões a comitês políticos em 2025 e 2026, tornando-se o maior doador individual declarado da política dos Estados Unidos.
- Comitês irrigados pelo bilionário gastaram quase US$ 900 milhões, mas os candidatos apoiados por esse dinheiro perderam 62 das 72 disputas já decididas.
- No Texas, aposta mais cara do bilionário contra o democrata James Talarico fracassou após o candidato progressista vencer por 12 pontos percentuais.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
Nas eleições de meio de mandato de 2026 nos Estados Unidos, a tentativa da extrema direita de usar o poder econômico irrestrito para dominar o Congresso esbarrou no voto popular. Levantamentos da Comissão Federal Eleitoral (FEC) mostram que o bilionário Elon Musk destinou US$ 445,6 milhões a comitês políticos ao longo do ciclo de 2025 e 2026. No entanto, o lado impulsionado por esse volume inédito de recursos foi derrotado em 62 das 72 disputas já apuradas no pleito de 3 de novembro.
Os comitês abastecidos pelos repasses de Musk despenderam um total de US$ 898,7 milhões em propaganda e trabalho de campo para promover nomes do Partido Republicano, legenda do presidente Donald Trump, e atacar adversários democratas e independentes. A fatia direta correspondente a Musk nesses gastos foi estimada em US$ 286,4 milhões, transformando o empresário no maior doador individual declarado da história moderna dos Estados Unidos, superando com folga marcas de eleições anteriores monitoradas por entidades como a OpenSecrets.
A derrota na aposta milionária do Texas
A ofensiva eleitoral de Musk teve como epicentro o estado do Texas, onde ele transferiu parte de seus negócios e reside. A corrida pelo Senado entre o republicano Ken Paxton e o democrata James Talarico converteu-se na disputa não presidencial mais cara da história norte-americana. Ao todo, comitês bancados com dinheiro do bilionário direcionaram US$ 286,8 milhões contra Talarico, combinando comerciais agressivos na televisão, mensagens de texto em massa e ligações automatizadas geradas por inteligência artificial.
O resultado das urnas, porém, impôs uma expressiva rejeição à cartilha da extrema direita: Talarico venceu a disputa para o Senado com uma vantagem de 12 pontos percentuais sobre Paxton. Durante a reta final da campanha, a atuação desmedida do dono da Tesla e da SpaceX virou tema central da mobilização popular.
"Elon Musk está tentando comprar essa cadeira no Senado", denunciou James Talarico durante comício recente, ao rebater a onda de ataques desferida contra sua candidatura.
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Financiamento sem teto e interesses corporativos
A injeção massiva de capital de Musk na política institucional operou por meio da estrutura dos chamados super PACs, autorizados a receber valores ilimitados de bilionários desde a decisão judicial do caso Citizens United, da Suprema Corte dos EUA, em 2010. Enquanto doações diretas a candidatos têm teto restrito a US$ 3.500 por pleito, esses comitês independentes canalizam centenas de milhões de dólares sem teto legal, desde que formalmente não coordenem ações com as campanhas oficiais.
Outros US$ 158 milhões saíram das contas do empresário rumo ao Fundo de Liderança do Senado (Senate Leadership Fund), que redistribuiu recursos para grupos locais bombardearem candidatos do campo democrata.
Analistas e a imprensa internacional apontam que o ativismo financeiro de Musk esteve atrelado a interesses econômicos explícitos. O bilionário buscou travar o avanço de investigações parlamentares sobre os vultosos contratos federais concedidos à SpaceX e mitigar o desgaste de sua passagem pelo comando do Departamento de Eficiência Governamental na gestão Trump, onde defendeu cortes radicais de serviços públicos. A vitória da maioria dos candidatos contrários ao seu projeto demonstra os limites materiais de um modelo político que tenta submeter a vontade coletiva ao capital monopolista.
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Fontes desta notícia
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