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Cobertura: Política brasileira

Santiago Peña renuncia no Paraguai após quebra de banco que foi seu

Acuado por um rombo de US$ 850 milhões em verbas públicas e pelo avanço do impeachment, o presidente conservador joga a toalha após a liquidação do Ueno Bank.

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Em resumo

  • Santiago Peña anunciou renúncia nesta quinta-feira (5) após a quebra do Ueno Bank, instituição da qual foi acionista até março de 2025.
  • A liquidação do banco travou as contas de 3 milhões de clientes e colocou em risco cerca de US$ 850 milhões em depósitos de estatais e da previdência.
  • Abandonado pelo Partido Colorado e com impeachment aberto na Câmara, Peña tenta entregar o cargo ao vice-presidente Pedro Alliana.

4 min de leitura

Imagem da reportagem de diariodocentrodomundo.com.br: Santiago Peña renuncia no Paraguai: entenda o escândalo que derrubou o presidente
Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai após escândalo do Ueno Bank. Entenda as denúncias, o dinheiro público e a crise. — Reprodução/diariodocentrodomundo.com.br. Página-fonte

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

O modelo de vitrine do liberalismo paraguaio ruiu da pior maneira possível: com portas trancadas, contas congeladas e o dinheiro dos trabalhadores sequestrado. O presidente do Paraguai, o economista conservador Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que deixará o cargo após o colapso retumbante do Ueno Bank. Acuado por protestos nas ruas, pelo avanço de um processo de impeachment na Câmara e pelo desembarque em massa da sua própria base partidária, o mandatário optou por uma retirada estratégica para tentar salvar o que sobrou de sua biografia política.

Em pronunciamento em vídeo, Peña apelou ao tradicional vocabulário das crises institucionais, alegando que deixa o poder para “preservar a estabilidade do país, a paz social e a necessidade de preservar nossas instituições democráticas”. A retórica de sacrifício, no entanto, não esconde o roteiro desenhado desde a última terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai (BCP) determinou a intervenção e a liquidação sumária da instituição por insolvência generalizada.

Dinheiro da previdência nas mãos do compadrio

O Ueno Bank, que se vendia como o maior e mais moderno banco digital do país, acumulava aproximadamente 3 milhões de clientes — quase metade da população paraguaia. Mas o verdadeiro motor de sua meteórica expansão não era a inovação de mercado, e sim a irrigação farta com dinheiro estatal. A instituição geria cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, abrigando fundos de estatais como Itaipu Binacional, Yacyretá e do Instituto de Previsión Social (IPS).

A vinculação direta entre o chefe do Executivo e o negócio tornou a crise politicamente insustentável. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador da holding do Ueno Bank, até março de 2025 — quando já despachava como presidente da República. Enquanto o banco captava volumes milionários do Estado, operava com empréstimos irregulares e acima dos limites da lei para empresas ligadas aos seus próprios controladores.

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Fiscalização frouxa e abandono da base

A desfaçatez da engrenagem do compadrio atingiu em cheio a cúpula da autoridade monetária. Na terça-feira (3), o então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo Spalding, foi obrigado a renunciar. Carvallo havia presidido a financeira que deu origem ao Ueno Bank antes de assumir o comando do regulador bancário em 2023. Documentos legislativos revelaram que relatórios técnicos do órgão já haviam flagrado fraudes e transações proibidas no banco em abril e agosto de 2026, mas as medidas efetivas só foram tomadas quando a solvência já tinha virado fumaça. Até o momento, oito executivos foram presos.

"Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou", discursou a deputada de oposição Rocío Vallejo ao sustentar a denúncia.

Ao notar o tamanho da revolta popular nas portas das agências, o campo da direita tradicional paraguaia tratou de rifar Peña imediatamente. O ex-presidente Horacio Cartes e a cúpula do governista Partido Colorado retiraram a sustentação do governo e endossaram o impeachment, que teve sua abertura aprovada pelos deputados nesta quinta-feira.

A renúncia formal de Peña ainda precisará ser chancelada em sessão do Congresso. Pelo rito constitucional, o comando do Palácio de López recairá sobre o vice-presidente Pedro Alliana, deixando para trás um saldo pedagógico sobre o custo real das aventuras liberais na América Latina: quando a farra privada dá prejuízo, a conta sempre é jogada no bolso dos aposentados e da classe trabalhadora.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasil247.comSantiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai após escândalo bancário
  2. 2. diariodocentrodomundo.com.brSantiago Peña renuncia no Paraguai: entenda o escândalo que derrubou o presidente
  3. 3. cartacapital.com.brSantiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai em meio a escândalo bancário
  4. 4. operamundi.uol.com.brSantiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai após escândalo financeiro