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Atrito de Trump com Canadá pode abrir mercado ao agro brasileiro

Disputa ameaça comércio agropecuário de US$ 64 bilhões entre os dois países, enquanto carne bovina, etanol, soja e ração abrem oportunidades ao Brasil.

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Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • O comércio agrícola e de setores relacionados entre Estados Unidos e Canadá movimentou US$ 64 bilhões em 2025.
  • Carne bovina é a principal oportunidade para o Brasil diante do déficit de oferta no mercado norte-americano.
  • Etanol, derivados de soja e alimentos para animais também podem ganhar mercado com a diversificação de fornecedores.
  • As exportações agropecuárias brasileiras alcançaram US$ 11 bilhões para os EUA e US$ 1,3 bilhão para o Canadá em 2025.
  • A reforma tributária construída no governo Lula prevê retirar resíduos tributários das exportações e fortalecer a competitividade nacional.

4 min de leitura

Bandeira do Canadá hasteada no Canada Place, em Vancouver, na Colúmbia Britânica
Bandeira do Canadá no Canada Place, em Vancouver, na Colúmbia Britânica — Dietmar Rabich. Wikimedia Commons · CC BY-SA

A disputa tarifária entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Canadá pode deslocar parte de um comércio agropecuário bilionário e abrir mercado para produtos brasileiros, sobretudo carne bovina. O atrito atinge duas economias profundamente integradas e coloca o Brasil, que já ampliou suas vendas aos dois países, como alternativa possível em segmentos estratégicos.

Comércio de US$ 64 bilhões fica sob pressão

O intercâmbio de produtos agrícolas, florestais e itens ligados ao setor entre Estados Unidos e Canadá movimentou US$ 64 bilhões em 2025, praticamente dividido em US$ 32 bilhões para cada lado. Considerados somente os produtos agrícolas, a corrente comercial chegou a US$ 51 bilhões, com os Estados Unidos exportando US$ 28,7 bilhões ao mercado canadense.

Nem todos os produtos agropecuários estão incluídos na disputa. Ainda assim, a persistência das restrições pode afetar a estrutura produtiva, logística e comercial construída entre os dois países, levando produtores, indústrias e importadores a procurar novos fornecedores e compradores.

O movimento repete uma oportunidade já observada durante as tensões entre Washington e Pequim, quando produtos brasileiros avançaram em mercados antes abastecidos por concorrentes atingidos pela disputa entre as grandes potências.

Carne bovina concentra a principal oportunidade

O comércio de carnes bovina, suína e de frango entre Estados Unidos e Canadá alcançou US$ 4,9 bilhões em 2025. Somente em carne bovina canadense, os Estados Unidos importaram US$ 1,6 bilhão, em meio a um déficit do produto no mercado interno norte-americano.

Nesse cenário, o Brasil já aparece como fornecedor relevante. No período de janeiro a agosto citado pelo Diário do Centro do Mundo, os Estados Unidos compraram 269 mil toneladas de carne bovina brasileira, no valor de US$ 1,8 bilhão, segundo dados atribuídos à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne.

A pressão dos preços internos levou Trump, em período eleitoral, a anunciar uma isenção temporária para o produto brasileiro. A medida expõe uma contradição da política comercial da Casa Branca: mesmo ao recorrer às tarifas como instrumento de pressão, o governo norte-americano precisa buscar abastecimento externo para conter os efeitos sobre seu próprio mercado consumidor.

Outros segmentos também podem avançar. O comércio de etanol entre os dois países movimentou US$ 1,75 bilhão em 2025, dos quais US$ 1,7 bilhão correspondeu a exportações dos Estados Unidos ao Canadá. No mercado de alimentos para cães e gatos, as vendas norte-americanas aos canadenses chegaram a US$ 1,2 bilhão, enquanto empresas brasileiras mantêm produção relevante no setor.

Brasil amplia presença e fortalece competitividade

As exportações brasileiras de produtos agropecuários e relacionados ao agronegócio somaram US$ 11 bilhões para os Estados Unidos e US$ 1,3 bilhão para o Canadá em 2025. Em 2020, esses valores eram de US$ 6,5 bilhões e US$ 578 milhões, respectivamente, indicando que o país já vinha ampliando sua presença nos dois mercados antes do novo atrito.

Essa expansão pode ser favorecida por uma mudança estrutural construída no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reforma tributária instituiu a CBS e o IBS, adotou a tributação no destino e previu a retirada gradual de resíduos tributários das exportações. Fernando Haddad destacou que a desoneração aumenta a competitividade da produção nacional e cria condições para atrair investimentos produtivos.

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A CBS e o IBS estão em fase de testes em 2026, com a transição do ICMS e do ISS para o novo modelo prevista entre 2029 e 2032 e vigência integral em 2033. Ao reduzir distorções que pesam sobre as exportações, a reforma oferece ao Brasil melhores condições para transformar mudanças no comércio internacional em expansão produtiva, acesso a mercados e novos investimentos no país.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasil247.comHaddad diz que reforma tributária pode reindustrializar São Paulo e encerrar guerra fiscal
  2. 2. diariodocentrodomundo.com.brComo agro brasileiro pode se beneficiar da guerra comercial entre EUA e Canadá
  3. 3. g1.globo.comAliados de Trump alertam que guerra com o Irã pode se ir até 2029 | G1