Flávio Bolsonaro é investigado no STF no caso “Dark Horse”
Inquérito autorizado por André Mendonça apura suspeitas de lavagem, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

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Em resumo
- André Mendonça autorizou, a pedido da PF e com parecer favorável da PGR, um inquérito sigiloso sobre Flávio Bolsonaro e o financiamento de “Dark Horse”.
- A apuração investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados à estrutura financeira do filme.
- Mensagens apontam pedido de R$ 131 milhões a Daniel Vorcaro, enquanto planilhas indicam o pagamento de aproximadamente R$ 60 milhões.
- Outra frente investiga emendas de Mário Frias e repasses empresariais que alcançaram o entorno da Go Up, produtora do filme.
- Lula lidera a disputa presidencial enquanto o inquérito alcança a campanha de Flávio Bolsonaro.
5 min de leitura

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, é investigado em um inquérito sigiloso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme dedicado à trajetória de Jair Bolsonaro. A instauração do procedimento foi determinada pelo ministro André Mendonça em julho, mas a participação direta do parlamentar na apuração veio a público recentemente, após a retirada do sigilo de documentos do caso Banco Master.
A investigação, solicitada pela Polícia Federal (PF) e apoiada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis delitos. O procedimento está vinculado ao inquérito 5.026, relacionado ao Banco Master, e continua sob segredo de Justiça enquanto a PF realiza diligências.
Pedido milionário e transferências para fundo nos Estados Unidos
Segundo o Brasil 247, mensagens atribuídas a Flávio mostram que o senador pediu R$ 131 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar a produção. Planilhas apreendidas pela PF indicam que cerca de R$ 60 milhões foram efetivamente pagos.
A rota sob a relatoria de Mendonça investiga se recursos ligados a Vorcaro chegaram à produção por meio do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos. O ministro também homologou a colaboração premiada do operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, que declarou à PGR ter realizado, a pedido de Vorcaro, sete transferências para o fundo. As operações somaram US$ 12,3 milhões, equivalentes a cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época.
Em agenda eleitoral em Roraima, Flávio negou irregularidades e o uso de recursos públicos no projeto.
“Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso.” — Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência
A declaração, porém, não encerra a apuração sobre a origem e a movimentação dos milhões usados no filme. A produtora apresentou à Justiça comprovantes de despesas executadas, mas a prestação integral do financiamento captado pelo fundo norte-americano não foi disponibilizada, de acordo com a reportagem.
Emendas e produtora são investigadas em outra frente
O entorno financeiro de “Dark Horse” também aparece em uma investigação distinta, conduzida pelo ministro Flávio Dino. Nessa frente, a PF e a Controladoria-Geral da União deflagraram em 10 de setembro a Operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão em quatro unidades da Federação. Entre os alvos estavam o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, e Karina Gama, dona da Go Up Entertainment.
Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina. A PF identificou pagamentos de aproximadamente R$ 700 mil do instituto a duas empresas de um mesmo grupo empresarial. Posteriormente, outra companhia do grupo, a NTT Brasil, transferiu R$ 750 mil à Go Up. O próprio Frias enviou outros R$ 645,4 mil à produtora em menos de 60 dias, valor cujo lastro financeiro foi questionado pelos investigadores.
A Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período parcialmente coincidente com as filmagens. Entre as despesas estavam pagamentos a hotelaria, alimentação e empresas de produção audiovisual, conforme informações financeiras analisadas pela PF.
A PF também ressalvou que os elementos disponíveis não permitem afirmar que os R$ 750 mil enviados pela NTT à produtora vieram diretamente dos recursos recebidos do instituto. A proximidade dos valores, a rede empresarial e a coincidência temporal levaram os investigadores a aprofundar o rastreamento.
Caso alcança campanha presidencial de Flávio
A revelação do inquérito coloca o financiamento de “Dark Horse” no centro da campanha de Flávio contra o presidente Lula. O candidato do Avante, Augusto Cury, afirmou em 10 de setembro que um eventual apoio ao bolsonarista no segundo turno dependeria de explicações sobre o dinheiro do filme e da demonstração de que não houve corrupção.
Na pesquisa AtlasIntel citada por CartaCapital, Lula liderava a disputa com 43% das intenções de voto, diante de 37,4% de Flávio. O presidente mantém a dianteira enquanto o candidato do PL entra na fase decisiva da campanha alcançado por uma investigação autorizada no STF, a pedido da PF e com parecer favorável da PGR, sobre a estrutura milionária montada para promover a memória política de Jair Bolsonaro.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comFlávio Bolsonaro é investigado no STF em inquérito sobre Dark Horse
- 2. diariodocentrodomundo.com.brDark Horse: documentos do caso podem ter sido manipulados pela polícia de Tarcísio
- 3. cartacapital.com.brAugusto Cury indica que pode apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno
- 4. iclnoticias.com.brDe Vorcaro às emendas: os dois caminhos do dinheiro de Dark Horse
- 5. brasildefato.com.brEx-marqueteiro e amigo de Flávio Bolsonaro é o terceiro maior doador do filme Dark Horse, aponta PF
- 6. g1.globo.comFrias e empresa enviaram R$ 1,4 milhão à produtora de ‘Dark Horse
- 7. poder360.com.br“Dark Horse”: Entenda o fluxo financeiro investigado pela PF que mira Frias
