Renan Santos acusa campanha de Flávio Bolsonaro de apoio ilegal trumpista
Líder do Missão diz que a Rockbridge Network entrou na disputa presidencial; empresários ligados à organização negam qualquer repasse.

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Em resumo
- Renan Santos acusou a Rockbridge Network de ajudar ilegalmente a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
- A rede norte-americana foi fundada por J.D. Vance e Chris Buskirk e mantém conexões com empresários brasileiros.
- Tallis Gomes e Pedro Sang confirmaram contatos com a organização, mas negaram qualquer repasse para campanhas.
- André Marinho confirmou uma viagem ao Texas para discutir a possível expansão da Rockbridge no Brasil.
- A legislação eleitoral proíbe doações diretas ou indiretas de entidades e governos estrangeiros.
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O candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, acusou no sábado (5) a Rockbridge Network — rede norte-americana de financiadores alinhada a Donald Trump — de ajudar ilegalmente a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração coloca sob escrutínio as conexões entre o bolsonarismo e uma organização política estrangeira ligada ao vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance.
Segundo o Brasil 247, Renan afirmou que a rede teria procurado inicialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e depois fechado apoio com Flávio. Arthur do Val, ex-deputado estadual ligado ao MBL, também publicou uma acusação sobre a possível entrada de dinheiro estrangeiro na eleição brasileira.
“Eles entraram na campanha do Flávio, naturalmente e ilegalmente.”
— Renan Santos, em discurso no sábado (5), segundo o Brasil 247.
Rede trumpista buscou ampliar presença no Brasil
A Rockbridge foi fundada em 2019 por J.D. Vance e pelo empresário Chris Buskirk, hoje sócio de Donald Trump Jr. em uma gestora de capitais na Flórida. A organização vem buscando criar braços internacionais e aproximar sua rede de investidores de outros países.
As acusações de Renan e Arthur do Val miram principalmente os empresários Tallis Gomes, fundador da G4 Educação, e Pedro Sang. Gomes é apontado como integrante da organização nos Estados Unidos e participou, em junho, de um painel em Nova York com Buskirk e o investidor Victor Lazarte.
O encontro, realizado durante a Brazil Week, tratou de infraestrutura de inteligência artificial, terras raras e alianças estratégicas. A combinação de articulação política, capital estrangeiro e interesse em recursos estratégicos amplia o peso da denúncia: a legislação eleitoral brasileira proíbe que partidos e candidatos recebam direta ou indiretamente doações de governos ou entidades estrangeiras.
Empresários negam repasses para campanhas
Tallis Gomes negou ter arrecadado recursos para Flávio Bolsonaro ou qualquer outro político. Conforme o Diário do Centro do Mundo, ele confirmou manter conversas com as campanhas de Flávio e dos governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, mas afirmou não possuir adesão formal a nenhuma delas.
Pedro Sang também confirmou contatos com a Rockbridge, mas negou ter intermediado qualquer transferência financeira. De acordo com o empresário, a organização avaliou investimentos em tecnologia no Brasil, porém abandonou a prospecção em maio. Sang e Gomes anunciaram que pretendem processar Renan Santos e Arthur do Val por calúnia e difamação.
Outro contato confirmado envolve André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro. Ele viajou a Dallas, no Texas, a convite da Rockbridge, para conhecer Chris Buskirk e analisar uma possível instalação da rede no Brasil. Marinho disse não ter conhecimento de aportes norte-americanos na campanha de Flávio e afirmou que as tratativas não avançaram.
Conexões estrangeiras entram no centro da disputa
As negativas de repasses convivem com uma cadeia de contatos reconhecidos: participação em painel com a direção da Rockbridge, diálogo com pré-candidaturas e uma viagem aos Estados Unidos para discutir a expansão da organização. A acusação transforma essa aproximação em uma questão concreta sobre financiamento político, interesses econômicos e soberania eleitoral.
A entrada de recursos estrangeiros em campanhas é proibida justamente no terreno em que a Rockbridge atua: a construção de redes capazes de conectar grandes investidores a projetos políticos. Ao atingir a candidatura de Flávio Bolsonaro, a denúncia leva ao centro da eleição a disputa sobre quem financia o poder no Brasil e quais interesses externos procuram espaço em setores estratégicos do país.
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