PF aponta que Vorcaro sabia de operação antes da prisão
Documento sem sigilo descreve reunião com o Banco Central e viagem ao exterior na véspera da Operação Compliance Zero.

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Em resumo
- PF afirma que Daniel Vorcaro sabia da proximidade da Operação Compliance Zero antes da primeira prisão.
- Investigadores relacionam uma reunião virtual com o Banco Central, realizada na véspera da operação, à atuação do banqueiro.
- Vorcaro foi detido em 17 de novembro de 2025 quando tentava viajar para a Europa em um avião particular.
- As informações fundamentaram novo pedido de prisão preventiva em fevereiro de 2026; o banqueiro voltou a ser preso em março.
- André Mendonça retirou o sigilo das principais investigações relacionadas ao Banco Master no STF.
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Um documento da Polícia Federal que teve o sigilo retirado na noite desta quinta-feira (10) detalha as movimentações de Daniel Vorcaro antes da Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, o ex-dono do Banco Master sabia que a ação policial era iminente e tentou viajar para a Europa na noite anterior ao cumprimento dos mandados.
O material sustenta que a sequência de atos reforça a tese de fuga. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar em um avião particular no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.
“Seja mera coincidência”, descartou a Polícia Federal ao relacionar a viagem à proximidade da operação.
PF relaciona reunião no Banco Central à tese de fuga
De acordo com a PF, Vorcaro teria se utilizado de servidores do Banco Central que estavam sob sua influência, em razão do suposto pagamento de vantagens indevidas, para forçar uma reunião virtual no dia imediatamente anterior à operação.
A reunião ganhou importância na disputa judicial posterior. Cerca de dez dias depois da primeira prisão, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a soltura de Vorcaro e de outros quatro executivos do Banco Master. Segundo a PF, o encontro com o Banco Central esteve entre os argumentos considerados favoráveis à liberdade do banqueiro.
A cronologia apresentada pelos investigadores expõe uma suspeita grave sobre a capacidade do poder econômico de mobilizar relações dentro de uma instituição pública responsável pela fiscalização do sistema financeiro. Para a PF, a reunião não foi um episódio isolado, mas parte da atuação de um banqueiro que já teria conhecimento da operação e buscava produzir elementos úteis à própria defesa.
Relatório embasou novo pedido de prisão
As informações foram utilizadas pela Polícia Federal para fundamentar um novo pedido de prisão preventiva, assinado em 27 de fevereiro de 2026. Vorcaro voltou a ser preso em março.
O acesso ao documento foi liberado após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo das principais investigações relacionadas ao Banco Master que tramitam na Corte. A decisão, tomada nesta quinta-feira, atendeu a uma solicitação apresentada horas antes pelo presidente do STF, Edson Fachin.
A abertura dos autos amplia o escrutínio público sobre as articulações que antecederam a prisão e coloca no centro da apuração a influência atribuída pela PF ao banqueiro sobre agentes ligados ao órgão regulador. O caso revela como relações entre poder financeiro e estruturas do Estado podem ser mobilizadas em benefício privado — justamente o tipo de engrenagem que a transparência das investigações permite expor.
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