Trump atrela fim da guerra com Irã à eleição de novembro
Em convenção republicana, presidente dos EUA acusa Teerã de tentar influenciar o voto, ameaça complexo nuclear e contraria projeções internas.

Núcleo editorial
Leitura rápida
Em resumo
- Trump disse que espera o fim da guerra contra o Irã logo após as eleições legislativas de novembro.
- O presidente norte-americano acusou Teerã de tentar influenciar a votação e ameaçou atacar a Montanha Pickaxe.
- O petróleo Brent permaneceu acima de US$ 100, enquanto o tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu pela metade em relação à média recente.
- Assessores de Trump projetam reservadamente que o conflito pode durar até janeiro de 2029.
- O Pentágono já teria estendido parte da presença militar dos EUA no Oriente Médio até 2027.
4 min de leitura

Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (9), durante a convenção de meio de mandato do Partido Republicano em Dallas, que espera o fim da guerra dos Estados Unidos contra o Irã logo depois das eleições legislativas de novembro. No mesmo dia, o presidente norte-americano acusou Teerã de tentar interferir na disputa pelo Congresso e voltou a ameaçar a Montanha Pickaxe, complexo subterrâneo ligado ao programa nuclear iraniano.
A declaração coloca o calendário da guerra no centro da campanha republicana, em uma eleição que definirá o controle do Congresso. Pressionado pelos efeitos do conflito sobre os combustíveis e por sua perda de popularidade, Trump procura atribuir ao Irã a responsabilidade política por uma crise alimentada pela própria escalada militar de Washington.
Trump associa duração da guerra à disputa pelo Congresso
Trump disse que o Irã estaria tentando influenciar as eleições para favorecer os democratas e aliviar a pressão militar e econômica exercida pelos Estados Unidos. A acusação não veio acompanhada, nas fontes consultadas, da apresentação de provas.
“Acho que a guerra vai acabar logo após a eleição, porque eles não aguentam mais”, afirmou Donald Trump durante a convenção republicana.
Antes do evento, Trump também reconheceu que os norte-americanos talvez tenham de esperar além das eleições para obter algum alívio nos preços dos combustíveis. Durante o discurso, defendeu que a pressão econômica de curto prazo provocada pela guerra valeria a pena para impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã, conforme relato da BBC News Brasil.
A tentativa de transformar a guerra em argumento eleitoral ocorre enquanto o custo de vida permanece entre as principais preocupações dos eleitores norte-americanos. Pesquisa Financial Times/Focaldata citada pela BBC apontou aprovação de 33% para o desempenho de Trump, em meio ao prolongamento do conflito.
Ameaça contra Pickaxe amplia escalada militar
Além de prever o encerramento da guerra depois da votação, Trump afirmou que os Estados Unidos podem atacar a Montanha Pickaxe. A área reúne túneis subterrâneos próximos à instalação de enriquecimento de urânio de Natanz e é considerada uma das estruturas mais protegidas do programa nuclear iraniano.
A ameaça foi feita em meio à maior escalada de ataques contra navios desde o início do conflito, há seis meses. Segundo o g1, o governo iraniano afirmou ter atingido dez embarcações próximas ao Estreito de Ormuz depois que os Estados Unidos afundaram cinco petroleiros iranianos.
Os efeitos materiais da ofensiva já ultrapassam o campo militar. O petróleo Brent permaneceu acima de US$ 100 por barril nesta quinta-feira (10), enquanto o tráfego marítimo continuou afetado no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, ampliando as preocupações com o abastecimento global de energia.
Assessores projetam conflito até 2029
A previsão eleitoral de Trump contrasta com avaliações feitas dentro de seu próprio governo. Segundo informações do Wall Street Journal reproduzidas pelo g1, o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e outros assessores advertiram reservadamente que a guerra pode durar até janeiro de 2029, fim do atual mandato presidencial.
Autoridades teriam informado a Trump, durante reuniões no Salão Oval e na Sala de Situação, que o Irã poderia resistir durante anos à pressão militar e econômica dos Estados Unidos. O Pentágono também já teria prolongado parte da presença das tropas norte-americanas no Oriente Médio até 2027 e estaria preparando novas rotações de forças para a região.
Trump declarou que uma saída diplomática ainda seria possível, embora não seja sua opção preferida. Enquanto o discurso de campanha promete um desfecho rápido depois da votação, a máquina militar norte-americana se organiza para uma presença prolongada. A contradição recai materialmente sobre quem enfrenta combustíveis mais caros, restrições no transporte marítimo e os riscos de uma nova ampliação da guerra.
Comentários
Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.
Espaço dos membros
Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10 TV.
A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.
Carregando comentários…
Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
