Mário Frias chama busca da PF de “cortina de fumaça”
Deputado do PL critica buscas sobre R$ 2 milhões em emendas, mas não responde ao questionamento sobre R$ 645,4 mil enviados a uma produtora.

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Em resumo
- Mário Frias chamou de “cortina de fumaça” a busca realizada pela PF em sua residência.
- A investigação envolve duas emendas que destinaram R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil.
- A PF identificou R$ 645,4 mil em transferências de Frias à produtora Go Up Entertainment.
- O deputado não respondeu especificamente ao questionamento sobre o lastro financeiro das transferências.
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O deputado federal Mário Frias (PL-SP) reagiu na quinta-feira (10 de setembro de 2026) às buscas realizadas pela Polícia Federal em sua residência, classificando a medida como uma “cortina de fumaça”. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), integra uma investigação sobre suspeitas de irregularidades envolvendo R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado.
Na primeira manifestação depois da operação, Frias negou irregularidades, afirmou que entregará os documentos necessários e disse acreditar no arquivamento do caso. Segundo o parlamentar, os agentes apreenderam celular, computador e documentos, mas não houve prisões.
“Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição. Cortina de fumaça”, afirmou Mário Frias.
Ao atribuir a operação ao calendário eleitoral, o deputado do PL tenta deslocar o debate dos elementos concretos reunidos pela investigação para uma acusação política contra a atuação das instituições. A resposta, porém, não enfrentou um dos principais pontos registrados pela PF: o questionamento sobre o lastro financeiro de R$ 645,4 mil transferidos por Frias a uma produtora.
R$ 2 milhões destinados ao Instituto Conhecer Brasil
As duas emendas investigadas destinaram R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama. Os recursos financiaram dois termos de fomento atualmente analisados na apuração.
Frias afirmou que o dinheiro contemplava um projeto esportivo e outro de letramento digital para crianças e adolescentes. Em sua defesa, argumentou que os recursos das emendas não passam diretamente pelas mãos dos deputados, mas são transferidos pelo Tesouro ao órgão executor, responsável por aprovar o plano de trabalho e fiscalizar a prestação de contas.
Transferências à produtora de filme sobre Bolsonaro
A investigação também identificou movimentações envolvendo a Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Karina Ferreira da Gama, presidente do instituto beneficiado pelas emendas, também é apontada como dona da empresa.
Segundo o relatório policial citado na apuração, Frias transferiu R$ 645,4 mil à produtora em menos de 60 dias. Os investigadores afirmaram que a renda mensal do parlamentar, de R$ 44.008,52, coloca em questão o lastro financeiro para esses pagamentos.
No vídeo em que atacou a operação e apresentou sua versão sobre as emendas, Frias não respondeu especificamente à dúvida levantada pela PF sobre a origem dos recursos enviados à produtora. A tentativa de apresentar a busca como manobra eleitoral não elimina, portanto, o núcleo material da apuração: a destinação de dinheiro público por meio das emendas e as movimentações financeiras privadas que os investigadores procuram esclarecer.
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