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Chanceler alemão Friedrich Merz chama resultado da AfD de ‘sísmico’ e veta aliança

AfD obteve 43,8% e 39 das 83 cadeiras na Saxônia-Anhalt; CDU sofreu sua pior derrota eleitoral em décadas.

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Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • Friedrich Merz chamou de “sísmico” o resultado da eleição e descartou uma aliança da CDU com a AfD.
  • A extrema direita obteve 43,8% dos votos, mas ficou três cadeiras abaixo da maioria absoluta no Parlamento estadual.
  • A AfD tenta atrair deputados conservadores para romper o bloqueio político que a mantém fora dos governos regionais.
  • A plataforma da legenda combina políticas contra imigrantes com propostas de enfraquecimento da mídia pública e reversão de medidas climáticas.

4 min de leitura

AfD lead candidate Ulrich Siegmund holding election rally and meeting voters in Magdeburg city center on his campaign trail for the 2026 parliamentary election of the state legislature of Saxony Anhalt.
AfD lead candidate Ulrich Siegmund holding election rally and meeting voters in Magdeburg city center on his campaign trail for the 2026 parliamentary election of the state legislature of Saxony Anhalt. — Roy Zuo. Wikimedia Commons · CC BY-SA

O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou na segunda-feira (7) estar “profundamente chocado” com o resultado da eleição estadual realizada no domingo (6) na Saxônia-Anhalt. Ele classificou o desempenho da Alternativa para a Alemanha (AfD) como “sísmico” e descartou qualquer trabalho conjunto com a legenda de extrema direita, segundo o g1.

A AfD recebeu 43,8% dos votos e conquistou 39 das 83 cadeiras do Parlamento estadual. A União Democrata-Cristã (CDU), partido de Merz, ficou com 17,2%, uma queda de 20 pontos percentuais em relação à eleição anterior. O chanceler reconheceu que seu partido sofreu a mais dura derrota eleitoral em décadas.

“Há uma coisa que não está aberta a votação: as regras pelas quais vivemos juntos e os valores consagrados.”

— Friedrich Merz, chanceler da Alemanha

AfD tenta romper bloqueio e chegar ao governo estadual

A vitória não deu maioria absoluta à AfD, que precisaria de 42 cadeiras para governar sozinha. A extrema direita passou, então, a buscar o apoio de deputados conservadores. O copresidente nacional da legenda, Tino Chrupalla, pediu que parlamentares da CDU viabilizem o que chamou de uma maioria conservadora de centro-direita.

A ofensiva pressiona o chamado muro de contenção, a recusa dos partidos tradicionais alemães em formar coalizões com a AfD. A CDU reafirmou que não trabalhará com a legenda, classificada como extremista de direita pelo serviço de inteligência local. Sem adesões, a AfD não reúne os votos necessários para assumir o Executivo estadual.

Contramanifestação em frente a um estande informativo do AfD - 2024
Contramanifestação em frente a um estande informativo do AfD - 2024 — Bernd Schwabe in Hannover. Wikimedia Commons · CC BY-SA

O controle da Saxônia-Anhalt teria peso material: um governo regional exerce poder sobre áreas como polícia, educação e cultura. Seria também a primeira vez desde 1945 que uma legenda situada tão à direita chegaria ao comando de um estado alemão, como registram o Diário do Centro do Mundo e a BBC News Brasil.

Extrema direita explora insegurança social contra imigrantes

A Saxônia-Anhalt está entre os estados mais pobres do leste alemão. A região tem renda per capita abaixo da média nacional, desemprego superior ao índice do país e perda de população desde os anos 1990, especialmente pela saída de jovens. A eleição teve participação recorde, superior a 76%, em um universo de aproximadamente 1,7 milhão de eleitores.

Nesse cenário de desigualdade territorial e estagnação, a AfD coloca os imigrantes no centro de sua plataforma. A legenda defende ampliar deportações e adotar a chamada política de “remigração”, além de separar crianças refugiadas em turmas específicas. Sua agenda também inclui ampliar o uso de combustíveis fósseis, reduzir o papel das emissoras públicas e encerrar o apoio alemão à Ucrânia.

A extrema direita transforma problemas econômicos e demográficos concretos em combustível para uma política de exclusão. Em vez de enfrentar as causas materiais da insegurança social, aponta estrangeiros e refugiados como responsáveis pelo enfraquecimento dos serviços e das condições de vida.

Derrota coloca conservadores diante de escolha decisiva

Merz afastou a possibilidade de renunciar e afirmou que manterá o apoio à Ucrânia e a posição de enfrentamento à Rússia. O resultado estadual não altera a composição do governo federal, mas abalou a CDU justamente em uma região governada pelo partido desde 2002.

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A derrota deixa uma responsabilidade concreta sobre os conservadores: impedir que a AfD converta seu avanço eleitoral em controle do aparato estadual. Sem maioria própria, a extrema direita depende da erosão do muro de contenção que a mantém fora do governo. Preservar esse limite impede que a insegurança social seja usada para institucionalizar uma agenda de deportações ampliadas, separação de crianças refugiadas e enfraquecimento da comunicação pública.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. diariodocentrodomundo.com.brBoca de urna aponta AfD com 44,5% em eleição estadual na Alemanha
  2. 2. iclnoticias.com.brPartido de extrema direita vence eleições no estado alemão da Saxônia-Anhalt
  3. 3. brasildefato.com.brPartido de extrema direita vence eleições no estado alemão da Saxônia-Anhalt
  4. 4. g1.globo.comChanceler alemão classifica vitória da AfD como resultado
  5. 5. bbc.comEleição na Alemanha: direita radical tem vitória estadual inédita desde a 2ª Guerra Mundial, mas não consegue maioria para formar governo - BBC News Brasil