El-Sayed lidera no Michigan e pode ser 1º muçulmano no Senado dos EUA
Médico progressista soma 53% contra 42% do republicano Mike Rogers, enfrenta ataques islamofóbicos de Trump e racha a cúpula democrata ao defender o corte da ajuda militar a Israel.

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Em resumo
- Pesquisa New York Times/Siena aponta Abdul El-Sayed com 53% das intenções de voto contra 42% do republicano Mike Rogers na disputa pelo Senado no Michigan.
- Caso seja eleito nesta terça-feira (3), o médico progressista se tornará o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira no Senado norte-americano.
- Defensor do corte do envio de armas a Israel, El-Sayed superou US$ 30 milhões gastos pelo lobby pró-Israel e viu rival democrata derrotada apoiar o Partido Republicano.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A disputa pelo Senado dos Estados Unidos no Michigan chega à eleição desta terça-feira (3) com o médico progressista Abdul El-Sayed na liderança com 53% das intenções de voto, contra 42% do ex-deputado e ex-agente do FBI Mike Rogers, candidato apoiado por Donald Trump. O levantamento do The New York Times em parceria com o Siena College, apurado entre 23 de outubro e 1º de novembro, coloca o democrata em posição de se tornar o primeiro muçulmano na história a ocupar uma vaga no Senado estadunidense.
Filho de imigrantes egípcios e ex-diretor do Departamento de Saúde de Detroit, El-Sayed estruturou sua campanha na defesa de bandeiras populares, como saúde pública universal gratuita pelo sistema Medicare, taxação de grandes fortunas, extinção do serviço de imigração (ICE) e o fim do envio de armas e financiamento militar a Israel. Sua ascensão ocorre em um estado estratégico, onde vive uma das maiores comunidades árabes do país e que se rebelou nas primárias contra a política belicista em relação ao Oriente Médio.
Pressão contra o complexo armamentista e genocídio em Gaza
O candidato democrata classifica publicamente as operações militares do exército israelense na Faixa de Gaza como genocídio, posicionamento que o colocou em rota de colisão direta com os lobbies imperialistas de Washington. Entre outubro de 2023 e setembro de 2025, os repasses militares estadunidenses para Tel Aviv somaram aproximadamente US$ 21 bilhões, de acordo com levantamento do projeto Custos da Guerra, da Universidade Brown.
Eu acredito em direitos iguais à paz, dignidade e autodeterminação tanto para judeus israelenses quanto para palestinos. Mas acho que a nossa responsabilidade, acima de tudo, é usar o dinheiro dos nossos impostos aqui no Michigan para proporcionar saúde, escolas e estradas, em vez de enviá-lo a um governo estrangeiro que pode usá-lo em forma de bombas e tanques para destruir infraestrutura, escolas e hospitais lá. — Abdul El-Sayed, candidato ao Senado pelo Partido Democrata
Por conta de sua postura internacionalista, o candidato sofreu ofensivas milionárias durante as prévias de agosto. O Comitê de Assuntos Públicos Estadunidense-Israelense (Aipac) desembolsou mais de US$ 30 milhões para tentar derrotá-lo em benefício da deputada direitista da própria legenda democrata, Haley Stevens. Mesmo diante do volume financeiro despejado por bilionários e financistas de armamentos, a mobilização da base popular garantiu a vitória de El-Sayed na convenção.
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Aliança de conservadores e ataques islamofóbicos
A proximidade do pleito acirrou os ataques da extrema direita. Donald Trump passou a atacar El-Sayed diretamente, rotulando o médico de “jihadista” e sugerindo laços inexistentes com terrorismo, retórica islamofóbica endossada publicamente por Rogers. O avanço do progressista também expôs as fissuras do establishment: a deputada Haley Stevens oficializou no domingo (1º) seu apoio formal ao republicano Mike Rogers, desencadeando demissões em sua equipe e levando a liderança democrata no Senado a classificar a manobra como traição desprezível.
Em comício recente em Detroit, o ex-presidente Barack Obama subiu ao palanque ao lado de El-Sayed para consolidar os votos da base trabalhadora. A disputa no Michigan integra uma rodada eleitoral que pode conter a maioria conservadora em Washington, barrando o ímpeto de desregulamentação para grandes corporações e desarticulando a expansão irrestrita de despesas militares defendida pelo governo republicano.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comEleições nos EUA ameaçam investimentos em inteligência artificial e pressionam Wall Street
- 2. operamundi.uol.com.br‘Brasil com S’: estudantes protestam contra alegações de fraude eleitoral de Flávio, que fugiu aos EUA
- 3. brasildefato.com.brEleições nos EUA: candidato pró-Palestina, Abdul El-Sayed lidera pesquisa e pode ser primeiro muçulmano no Senado
