Servidores confessam à PF ameaça de envenenar água de indígenas em MS
Funcionários de Tacuru admitiram gravações que defendiam matar Guarani e Kaiowá após a vitória de Lula nas urnas; governo federal enviou comitiva.

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Em resumo
- Dois funcionários da prefeitura de Tacuru confessaram à PF autoria de áudios com ameaças de envenenamento contra a Aldeia Sassoró.
- Ataques ocorreram após a confirmação da vitória eleitoral de Lula, gerando mais de 30 denúncias de intimidação contabilizadas pela Apib.
- O governo federal mobilizou força-tarefa de ministérios e atuação rápida de PF e Funai para resguardar as comunidades indígenas.
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Dois servidores da Prefeitura de Tacuru, no Mato Grosso do Sul, confessaram à Polícia Federal ter gravado áudios nos quais propunham envenenar a água consumida pelos indígenas Guarani e Kaiowá da Aldeia Sassoró. A informação foi apurada pela coluna de Matheus Leitão no portal Metrópoles. As mensagens criminosas foram disseminadas em aplicativos logo após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos depoimentos prestados à PF, ambos os investigados alegaram que estavam embriagados no momento em que gravaram as mensagens e sustentaram que não teriam condições de executar o envenenamento. A alegação, contudo, não arrefece a gravidade da intimidação direcionada à comunidade tradicional. O primeiro servidor foi afastado de suas funções em 28 de outubro, e o segundo teve o afastamento confirmado em 30 de outubro pelo prefeito Rogério Torquetti (PSDB). O município também instaurou processo administrativo disciplinar (PAD) para avaliar os fatos.
Ódio político e ação imediata do governo federal
As gravações continham termos violentos direcionados à comunidade por conta do exercício de seu direito democrático de voto. Em um dos trechos, um dos homens declarou: “tem que ponhar veneno na água, tem que matar essas pragas na água”. Em outro momento da sequência de áudios, o agressor disparou: “quem votou no PT só foi os índios. Desgraçados”.
A denúncia ganhou repercussão nacional após alerta do cacique Ivan Montiel, liderança da aldeia Sassoró e vereador em Tacuru, acompanhado por representações da deputada federal Célia Xakriabá (Psol) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), conforme detalhou a Revista Fórum.
Em resposta imediata para assegurar os direitos dos povos indígenas, uma ação articulada foi desencadeada pelos ministérios dos Povos Indígenas (MPI), da Justiça e Segurança Pública, dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR), mobilizando a atuação da Funai e da Polícia Federal, ao mesmo tempo em que o Ministério Público Federal fixou prazos rígidos de apuração para as autoridades locais.
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Violência histórica e resistência territorial
Para as lideranças indígenas, a violência verbal e a tentativa de intimidação refletem uma engrenagem secular de ataques promovidos por setores contrários aos direitos territoriais. Como apontou o coordenador da Aty Guasu (Grande Assembleia Guarani e Kaiowá), Voninho Benites, em manifestação reportada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e repercutida no Jornal GGN, o uso da contaminação da água faz parte de um histórico de pressões violentas:
“Casos de envenenamento de água já aconteceram diversas vezes contra nossas comunidades como em Ypoi, onde jogaram veneno diretamente no rio, como quando aviões largam veneno em águas que ficam perto de muitos de nossos territórios, adoecendo nossas crianças. Não é uma ameaça isolada, faz parte de como matam nosso povo.”
Registros documentados pelo Cimi apontam que episódios de pulverização irregular de agrotóxicos e ataques químicos já atingiram territórios como Guyraroka, Panambi – Lagoa Rica e Tey Jusu em anos anteriores, deixando moradores intoxicados em disputas de demarcação. Conforme o levantamento do Cimi de 2025, Mato Grosso do Sul liderou registros de violência contra a pessoa indígena no país, com 102 ocorrências, incluindo 37 assassinatos.
A rápida responsabilização conduzida pelos órgãos federais diante da confissão dos servidores reafirma o compromisso do Estado com a dignidade, a proteção à vida e a soberania territorial dos povos originários diante de qualquer tentativa de retaliação política.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. metropoles.comServidores confessam à PF ameaças de envenenar água de indígenas
- 2. revistaforum.com.brMPF investiga áudio com ameaça em terras Guarani Kaiowá: “matar essas praga pela água” - Revista Fórum
- 3. jornalggn.com.brEnvenenar água dos Guarani e Kaiowá “não é ameaça isolada"
- 4. cimi.org.brEnvenenar água dos Guarani e Kaiowá “não é ameaça isolada”, afirma coordenador da Aty Guasu | Cimi
