Fachin assume a condução do conflito entre Moraes e Mendonça
Presidente do Supremo assume a condução institucional do conflito entre Moraes e Mendonça; AGU reage ao afastamento do diretor-geral da PF.

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Em resumo
- Fachin afirmou que a Justiça brasileira seguirá vinculada à legalidade constitucional durante a crise no STF.
- O conflito entre Moraes e Mendonça envolve relatórios da PF e dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, do caso Master.
- Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
- A AGU pediu a suspensão da medida e defendeu a atribuição presidencial sobre o comando da PF.
- Fachin centralizou os procedimentos e solicitou manifestações formais dos envolvidos.
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou na terça-feira, 8 de setembro de 2026, que a Justiça brasileira permanecerá vinculada aos deveres estabelecidos pela Constituição. A declaração foi feita durante um evento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em meio à escalada do conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça nos desdobramentos do caso Master.
“Estou convencido de que o Poder Judiciário brasileiro está à altura dos desafios que se lhes apresentam no momento contemporâneo. A Justiça brasileira não faltará à legalidade constitucional, por certo, por seus deveres que decorrem da própria Constituição.”
— Edson Fachin, presidente do STF
Sem mencionar nominalmente os dois ministros, Fachin defendeu uma resposta institucional à altura dos desafios enfrentados pelo Judiciário. A manifestação reforçou a linha adotada pelo presidente da Corte diante de uma disputa que passou a envolver também o comando da Polícia Federal.
Caso Master acirra conflito entre ministros
A crise ganhou dimensão depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e alvo da Operação Compliance Zero. A investigação apura um esquema bilionário de fraudes financeiras.
O material apresentou registros de contatos e mensagens atribuídos a Moraes e Vorcaro. Posteriormente, Moraes enviou a Fachin uma representação na qual apontou possível abuso de autoridade e improbidade administrativa na atuação de Mendonça. Segundo Moraes, o colega teria adotado medidas que favoreceram determinados alvos e interferiram no direcionamento das investigações.
Mendonça contestou o relatório de inteligência apresentado por Moraes. O ministro classificou o documento como tecnicamente inadequado e afirmou que o material não permitiria verificar autoria e confiabilidade.
Decisão de Mendonça atinge comando da Polícia Federal
A tensão avançou sobre a estrutura do Estado quando Mendonça determinou, também na terça-feira, o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O ministro alegou ter sido monitorado pela corporação e questionou o envio posterior de relatórios de inteligência a Moraes.
A reação da AGU, órgão do governo Lula, colocou o Executivo na defesa da autoridade presidencial sobre o comando da Polícia Federal. A legislação estabelece que o diretor-geral da corporação é nomeado pelo presidente da República, argumento mobilizado pelo governo contra a intervenção determinada por Mendonça.
Fachin assume condução institucional da crise
Diante do agravamento do impasse, Fachin centralizou a condução do episódio. O presidente do STF retirou de Moraes a tramitação do pedido relacionado a Mendonça no inquérito das fake news, encaminhou o tema para procedimento sob sua condução e solicitou manifestações formais de Moraes, Mendonça, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de Andrei Rodrigues.
A declaração desta terça dá continuidade à defesa pública do devido processo legal feita por Fachin. Na sexta-feira, 4 de setembro, ele afirmou que nenhuma autoridade está acima da Constituição e defendeu uma resposta institucional firme, proporcional e rigorosa para as revelações ligadas ao caso Master.
Ao reafirmar a legalidade constitucional, Fachin estabeleceu um limite necessário para uma crise alimentada por acusações cruzadas e decisões com efeitos sobre instituições estratégicas. A iniciativa da AGU reforça esse caminho ao defender, em nome do governo Lula, as atribuições da Presidência e uma solução conduzida dentro das competências definidas pelo Estado democrático.
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