Faria Lima chora por rombo fiscal com o país no menor desemprego
Mercado financeiro entra em pânico com contas públicas após eleição de Lula, ignorando o recorde de 103,6 milhões de trabalhadores ocupados no país.

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Em resumo
- A taxa de desocupação recuou para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, atingindo o menor patamar em 14 anos, segundo o IBGE.
- A B3 acionou circuit breaker com queda de 15,9% na abertura após a eleição, puxada pelo pânico de gestores com o fiscal.
- A Faria Lima corta equipes com juros a 14,25% e sente saudade da Selic a 2%, época em que o desemprego alcançava 14,7% na pandemia.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
Para a avenida Brigadeiro Faria Lima, boa notícia para o trabalhador costuma soar como tragédia grega. No exato instante em que o Brasil celebra a menor taxa de desocupação em 14 anos, o mercado financeiro paulistano preferiu puxar o freio de emergência, derrubar a bolsa e organizar mais uma rodada de lamentações públicas sobre a dívida do Estado e o patamar dos juros.
Na manhã seguinte ao pleito presidencial que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva, a B3 acionou o circuit breaker após o Ibovespa desabar 15,9% na abertura. Consultores e gestores correram aos microfones para disparar alertas sobre dívida bruta em 82,9% do Produto Interno Bruto e juros nominais que alcançam R$ 1,182 trilhão em doze meses. O diagnóstico dos andares altos é sempre o mesmo: qualquer despesa voltada ao povo é tratada como ameaça de descontrole fiscal.
A economia real atropela o mau humor dos gráficos
Enquanto os analistas decretavam o apocalipse na tela dos computadores, a realidade fora dos escritórios climatizados mostrava um quadro bem diferente. Conforme apurou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desocupação caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026.
Esse distanciamento entre o humor do mercado e o bem-estar da população não é inédito. Em análise sobre as tensões entre o setor financeiro e o governo, o jornalista Adriano Silva já havia apontado o abismo cognitivo da avenida: os indicadores concretos mostram avanço do poder de compra, expansão da renda dos mais vulneráveis e consumo ativo, mas a reação dos operadores segue pautada por um pessimismo quase ideológico.
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A saudade do ciclo de miséria e lucros fáceis
O que realmente tira o sono das gestoras não é a saúde das contas públicas, mas o próprio bolso. Com a taxa básica Selic em 14,25%, o capital migra em peso para a renda fixa pública, esvaziando fundos multimercados e de ações, conforme detalhou a reportagem do Estadão. Casas tradicionais fecharam as portas e consultorias precisaram demitir porque os clientes preferem a segurança dos títulos públicos a pagar taxas de performance infladas.
A ironia histórica é evidente. Os mesmos endereços nobres que hoje reclamam do aperto viveram um boom de aberturas de capital e expansão de equipes quando a taxa Selic bateu 2% durante a pandemia. Naquela época, contudo, o país amargava uma taxa de desemprego de 14,7%, com 14,8 milhões de pessoas sem renda.
Ao contrastar o drama dos operadores com a vida dos trabalhadores, percebe-se qual modelo a Faria Lima realmente tolera: aquele em que os gráficos de corretoras sobem enquanto filas de desempregados dobram esquinas. Com Lula, a prioridade voltou a ser o trabalho e o prato cheio.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. g1.globo.comDesemprego cai no Brasil e atinge menor taxa em 14 anos | G1
- 2. forbes.com.brCircuit Breaker na B3 Reflete Temor do Mercado com Contas Públicas após Eleição de Lula
- 3. projetodraft.comFaria Lima contra Brasília – uma batalha financiada com o seu dinheiro
- 4. estadao.com.brComo o juro em patamar elevado por mais de um ano impacta a Faria Lima e o Leblon?
