Imprensa internacional noticia escalada no STF após afastamento na PF
El País fala em guerra interna no Supremo; Reuters aponta tentativa da oposição de usar a crise para impulsionar Flávio Bolsonaro contra Lula.

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Em resumo
- El País classificou o afastamento da direção da PF como uma escalada da disputa interna no STF.
- A Segunda Turma formou maioria para referendar a decisão, mas Gilmar Mendes interrompeu a conclusão com um pedido de vista.
- Os 11 diretores indicados por Andrei Rodrigues colocaram seus cargos à disposição em solidariedade ao chefe afastado.
- A Reuters apontou que a oposição de direita tenta associar Lula a Moraes e explorar a crise em favor de Flávio Bolsonaro.
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O afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (8), ganhou repercussão na imprensa internacional em meio à reta final da eleição presidencial. O jornal espanhol El País, a Reuters e a Associated Press destacaram tanto a dimensão da crise no tribunal quanto a tentativa da oposição de direita de explorar o episódio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (g1)
“representa uma escalada da guerra interna dentro do tribunal politizado”
— El País, sobre a decisão de André Mendonça, segundo g1 e BBC News Brasil
O periódico espanhol também avaliou que o rumo da crise no Supremo pode influenciar a votação marcada para 4 de outubro. A Reuters descreveu o afastamento como um novo capítulo do conflito na Corte, enquanto a AP relacionou a disputa ao turbilhão político que antecede as eleições. (BBC News Brasil)
Maioria na Segunda Turma e reação dos diretores da PF
Mendonça convocou uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do Supremo, na qual se formou maioria para referendar os afastamentos. A conclusão do julgamento, porém, foi interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. (g1)
A Advocacia-Geral da União pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que contestasse a decisão monocrática. Fachin concedeu prazo de 72 horas para Mendonça se manifestar. A iniciativa da AGU levou a reação do governo para os canais institucionais diante de uma medida que atingiu diretamente o comando da Polícia Federal. (g1)
Os dirigentes também repudiaram acusações de atuação não republicana. A manifestação coletiva mostra que a decisão de Mendonça provocou uma reação que ultrapassou a cúpula do Supremo e alcançou toda a direção da Polícia Federal. (BBC News Brasil)
Disputa no STF antecedeu o afastamento
A decisão de Mendonça foi publicada cinco dias depois de Alexandre de Moraes pedir uma investigação contra o colega no âmbito do Inquérito das Fake News. Antes disso, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da PF com informações sobre interações entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. (g1)
Foi essa sequência de decisões e enfrentamentos que levou o El País a afirmar que o Supremo nunca havia vivido uma crise dessa magnitude. A repercussão estrangeira situa o afastamento da direção da PF como parte de uma disputa entre ministros, e não como uma iniciativa do governo Lula. (BBC News Brasil)
Direita tenta usar crise contra Lula na campanha
Segundo a Reuters, líderes da oposição de direita procuram associar Lula a Moraes e usam a crise judicial para impulsionar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. O registro da agência evidencia que a entrada do governo no episódio decorre também de uma estratégia eleitoral dos adversários, interessados em converter o conflito interno do STF em arma de campanha. (g1)
A menos de um mês do primeiro turno, Lula lidera o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil com 38% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Nas simulações de segundo turno divulgadas até terça-feira, Flávio aparece com 45% e Lula com 44%; uma eventual segunda votação está marcada para 25 de outubro. (BBC News Brasil)
A cobertura internacional expõe, portanto, duas movimentações simultâneas: a escalada de uma disputa protagonizada por integrantes do Supremo e a tentativa da direita de transferir seus efeitos para Lula. Enquanto os adversários buscam dividendos eleitorais, o governo reage pelos instrumentos institucionais, por meio da AGU, e Lula permanece à frente nas intenções de voto do primeiro turno.
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