Jato ligado a fuga de Flávio Bolsonaro é identificado e está retido na Argentina
Aeronave executiva da Baires Fly teve decolagem vetada em Puerto Iguazú; PF monitora fronteira e autoridades argentinas não registram entrada do senador.

Núcleo editorial
Leitura rápida
Em resumo
- Um jato Gulfstream G400 da Baires Fly foi retido em Puerto Iguazú após ter decolagem para Miami barrada por autoridades aeronáuticas argentinas.
- O senador Flávio Bolsonaro está proibido pelo STF de deixar o Brasil e teve os passaportes retidos em investigação sobre lavagem de dinheiro.
- Órgãos migratórios da Argentina informaram não haver registro de entrada do parlamentar no país nem seu nome na lista do voo internacional.
4 min de leitura

Ouça esta leitura
Duração disponível ao iniciar
Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A voz natural está indisponível para este artigo. A alternativa usa a voz deste navegador, que pode soar diferente.
Um avião executivo apontado por apurações da imprensa regional como o meio para uma suposta fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil encontra-se retido nesta terça-feira (27) no Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú, na cidade argentina de Puerto Iguazú, que faz fronteira com Foz do Iguaçu (PR).

A aeronave em questão é um bimotor Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, de propriedade da empresa de táxi aéreo Baires Fly S.A., e não pertence formalmente ao parlamentar brasileiro. O jato pousou em Puerto Iguazú vindo de Buenos Aires e tinha como destino programado a cidade de Miami, no estado norte-americano da Flórida. Contudo, a decolagem internacional foi impedida pelas autoridades argentinas, desencadeando um alerta nas forças de segurança de ambos os países.
Restrições do STF e alerta de fuga
A movimentação em torno do jato ocorreu poucas horas após o senador ser intimado pela Polícia Federal brasileira a entregar seus passaportes e ficar expressamente proibido de deixar o território nacional. A determinação cautelar foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), logo após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições.
A decisão judicial contra Flávio Bolsonaro insere-se em inquérito que apura um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo plataformas de apostas e pagamentos ligados ao advogado Willer Tomaz. Além da entrega de documentos de viagem, o STF determinou a proibição de contato entre o parlamentar e o advogado, de quem foram bloqueados R$ 6 bilhões. Flávio também figura em outra apuração no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, sobre suposto financiamento ilegal da cinebiografia Dark Horse por meio de recursos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em pronunciamento em vídeo, Flávio afirmou que cumpriria a determinação de entregar o passaporte e atacou a ordem judicial:
"Vou entregar meu passaporte e me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar", declarou o parlamentar, em tradução livre do registro de agências internacionais.
Impasse na pista em Puerto Iguazú
Segundo informações de veículos de imprensa locais e fontes aeroportuárias, a Administração Nacional de Aviação Civil da Argentina (ANAC) não concedeu autorização para que o jato da Baires Fly decolasse rumo aos Estados Unidos. A recusa gerou discussões na pista entre a tripulação e fiscais de voo. Efetivos da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) da Argentina foram mobilizados para acompanhar a aeronave no terminal internacional, enquanto plataformas de rastreamento aéreo, como o Flightradar24, chegaram a bloquear a visualização pública dos dados do voo.
Carregando enquete…
A empresa de aviação havia chegado a iniciar trâmites migratórios prevendo três tripulantes e quatro passageiros para a rota rumo à Flórida. Fontes de inteligência e reportagens do jornal argentino Infobae e da emissora de televisão TN indicaram que a suspeita das autoridades era de que Flávio tentasse embarcar em Puerto Iguazú utilizando sua identidade civil para cruzar a fronteira terrestre.
Governo argentino nega entrada formal e campanha rechaça saída
Apesar do cerco e do bloqueio operacional ao jato particular, a Direção Nacional de Migrações da Argentina divulgou comunicado oficial assegurando que não há qualquer registro formal de ingresso de Flávio Bolsonaro no país vizinho, seja por via terrestre ou aérea. O órgão argentino destacou ainda que a documentação técnica da Baires Fly foi fiscalizada e que não foi apresentado plano de voo formal incluindo membros da família Bolsonaro.
No Brasil, a Polícia Federal informou que não há registro de saída do senador por postos migratórios regulares e acionou a aduana do país vizinho para checagens adicionais. O coordenador-geral da campanha do parlamentar, senador Rogério Marinho (PL-RN), negou taxativamente a travessia de fronteira:
"Não saiu", garantiu Marinho.
Embora aliados e advogados tenham relatado dificuldades em contatar Flávio Bolsonaro ao longo da manhã, a confirmação de que o senador não constava na listagem oficial de passageiros manteve o caso sob apuração cautelar das autoridades policiais brasileiras e argentinas.
Comentários
Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.
Espaço dos membros
Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.
A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.
Carregando comentários…
Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comAvião que seria usado em possível fuga de Flávio Bolsonaro tem voo marcado para Miami às 17h
- 2. metropoles.comSites de radar mostram avião que levaria Flávio aos EUA parado na Argentina
- 3. lanacion.com.arEste es el avión retenido en Puerto Iguazú: investigan si Bolsonaro iba a abordarlo para viajar a EE.UU.
- 4. painelpolitico.comAvião é retido na Argentina sob suspeita de levar Flávio aos EUA
