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A fome foi a marca mais forte da história de nossa gente
Eu nunca passei fome na minha vida. Mas a fome esteve presente na história da minha família e do Brasil.
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Transcrição da fala de Dimitri Sales em vídeo publicado em 3 de outubro de 2026. A pontuação e os parágrafos foram ajustados para leitura, preservando o conteúdo e a linguagem do autor.
Este vídeo foi publicado antes do primeiro turno. As referências a “próximo domingo” e ao dia 4 de outubro pertencem à gravação original.
Eu nunca passei fome na minha vida. Num país de profundas desigualdades socioeconômicas, eu posso sim ser considerado uma pessoa privilegiada. Eu sou Dimitri Sales, advogado, professor, e eu quero falar pra vocês sobre uma experiência que eu não vivi, mas que esteve presente na minha vida. O meu pai, na sua adolescência, passou fome, lutou muito pra superar essa coisa dilacerante que é a fome.
A minha mãe, quando foi começar a trabalhar como professora, foi pra uma escola primária na periferia de Vitória da Conquista. Na escola Nossa Senhora Aparecida, ela contava que as crianças costumavam almoçar farinha com água, bolos de farinha com água, às vezes farinha, água e pimenta. Essas crianças desmaiavam na escola. Aliás, essa é uma realidade presente na maioria das escolas do norte e nordeste do nosso país, do país inteiro.
Crianças que vão pra escola não pelo estudo, mas pela comida. A fome sempre esteve presente na história do Brasil. Sempre. Por incrível que pareça, a seca e a fome eram usadas como moeda de troca eleitoral. Isso significa que políticos mantinham populações na paúra, na miséria, pra chegar no momento da eleição distribuir dentadura, comida.
Uma coisa muito comum também era distribuir caixões, porque com a fome a morte era muito presente. Tudo isso valia moeda de troca eleitoral. Trocava-se a comida, o caixão, pelo voto. Nos anos 90, no Brasil, o sociólogo Herbert de Souza, o famoso e inesquecível Betinho, criou uma campanha. Campanha contra a fome. O slogan é quem tem fome, tem pressa.
A fome é uma inimiga da qual você não tem controle. Ou você se alimenta, ou ela vai crescendo. Vai te tirando as forças. Vai minando a sua capacidade de pensar, de discernir. Te leva ao desmaio. A fome aguda te leva à desnutrição, à morte. Essa era uma realidade no Brasil, muito presente nas cidades brasileiras até os anos 90.
A fome estrutural. A fome enquanto projeto político. A fome enquanto uma presença constante nas nossas vidas. Mas o presidente Lula, que passou a fome, resolveu, de forma obstinada, ao ser eleito presidente, acabar com a fome no Brasil. No ano de 2003, no seu primeiro mandato, criou o programa Fome Zero. Aquela campanha do Betinho tinha o slogan de quem tem fome, tem pressa.
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O Lula trouxe a urgência de acabar com a fome no Brasil. Criou-se comitês no Brasil inteiro. Criou-se políticas de segurança alimentar. Distribuiu renda para enfrentar a mazela mais dura que o cidadão, que o ser humano passa, que é a fome. E nós vencemos a fome no Brasil. Até o ano de 2019 e 2020, quando o governo de Jair Bolsonaro trouxe de volta a fome para a realidade de muitos e muitos brasileiros.
Pessoas que passaram a habitar novamente a fila de esmolas, buscar em lixões alimentos para matar aquilo que lhe é mais cruel. A fome é uma realidade que a juventude, a turma que nasceu depois dos anos 90, principalmente a dos anos 2000 para cá, não conheceu. Talvez tenha ouvido falar, talvez veja alguma imagem da seca no sertão, de pessoas mendigando, buscando filas de carro-pipa para poder encontrar água, para sair da miséria absoluta.
Esta realidade foi combatida de novo pelo presidente Lula agora, no seu terceiro mandato. E é sobre este paralelo, um Brasil do atraso da miséria do sofrimento, contra um Brasil que luta com as suas forças para superar a tragédia humanitária mais perversa, mais cruel. O que está em jogo no próximo domingo, não é só a escolha deste ou daquele candidato que melhor atenda o meu interesse pessoal, mas a escolha de um país que será um país de todos, um país que vence as desigualdades históricas, mas um país que tenha a capacidade de projetar-se no futuro, tendo a vida, a dignidade como referência.
Não um país da miséria que voltamos a ter no governo do Jair Bolsonaro, mas um país que pensa, que se pensa para toda a sua gente, é um país que se planeja para que as pessoas possam ter dignidade e vida em abundância, vida plena em abundância. Eu não conheci a fome em mim.
Por solidariedade, entendi o que é a fome na estrutura social do meu país. E eu quero voltar a viver num país que dignifique a sua gente. por um Brasil sem fome. Lula, presidente de novo. A gente já sabe. A gente está preparado para isso. Lula, presidente. O Brasil pode mais. Contra a fome, Lula, presidente.
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