Livro diz que Netanyahu recebeu alerta antes de 7 de Outubro
Livro de jornalistas do Haaretz relata que o presidente dos Emirados alertou diretamente o premiê israelense cerca de dez dias antes do ataque. Netanyahu nega.

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Em resumo
- Livro relata que Netanyahu foi alertado diretamente pelo presidente dos Emirados Árabes Unidos cerca de dez dias antes do ataque de 7 de outubro de 2023.
- O gabinete do premiê israelense nega a conversa e afirma que eventuais informações circulariam por canais de inteligência.
- Oposição israelense quer investigar o que Netanyahu sabia e quais providências tomou antes do ataque.
- Governo Netanyahu rejeita a comissão estatal independente defendida por partidos de oposição.
- A ofensiva israelense posterior ao ataque destruiu grande parte de Gaza e matou mais de 73 mil palestinos.
4 min de leitura

Um livro escrito por jornalistas do jornal israelense Haaretz afirma que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu recebeu, cerca de dez dias antes de 7 de outubro de 2023, um alerta direto do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, sobre uma grande operação preparada pelo Hamas. Segundo a apuração divulgada pelo Diário do Centro do Mundo, o premiê reagiu com tranquilidade ao aviso. Seu gabinete nega que a conversa tenha ocorrido.
A revelação amplia a pressão sobre Netanyahu e reforça o debate sobre a responsabilidade política de seu governo pelas falhas de segurança anteriores ao ataque, que deixou mais de 1.200 mortos em Israel e resultou no sequestro de 251 pessoas. Desde então, a ofensiva israelense destruiu grande parte da Faixa de Gaza e matou mais de 73 mil palestinos.
Livro relata conversa de 45 minutos
De acordo com Hostages: 843 Days of Abandonment — “Reféns: 843 Dias de Abandono”, em tradução livre —, o alerta teve origem em uma mensagem de Yahya Sinwar, então líder do Hamas na Faixa de Gaza. Ele teria informado a um ex-funcionário palestino que o grupo preparava uma operação de grande impacto, comparada a um “terremoto”.
A informação teria chegado ao presidente dos Emirados Árabes Unidos, que decidiu procurar Netanyahu diretamente. A ligação, realizada a partir do palácio presidencial em Abu Dhabi, teria durado aproximadamente 45 minutos. Mohamed bin Zayed teria manifestado preocupação com o risco de desestabilização regional, enquanto o primeiro-ministro israelense teria indicado que seu país estava preparado.
Os autores dizem ter baseado o livro em dezenas de fontes de Israel e de outros países, entre elas autoridades de alto escalão. O relato também aponta que o presidente emiradense mantinha contatos frequentes com dirigentes israelenses e dispunha de um telefone seguro fornecido por um diplomata para essas conversas.
Gabinete de Netanyahu nega o alerta
O gabinete do primeiro-ministro classificou o relato como “mentira absoluta” e negou que Netanyahu tenha recebido pessoalmente a advertência. A nota admitiu, porém, que eventuais informações relevantes poderiam ter circulado pelos canais de inteligência mantidos entre Israel e os Emirados Árabes Unidos.
“Se havia alguma informação relevante, ela foi transmitida pelos canais de inteligência entre os dois países.”
— Gabinete de Benjamin Netanyahu
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos não confirmou nem negou a existência da ligação. A divergência entre o relato do livro e a versão do governo israelense fortaleceu a cobrança por uma apuração independente, rejeitada até agora pelo governo Netanyahu.
Oposição cobra comissão independente
Líderes da oposição israelense anunciaram que pretendem investigar o que Netanyahu sabia, quando recebeu as informações e quais medidas tomou. Gadi Eisenkot, ex-comandante militar e adversário do premiê, afirmou que Netanyahu recebeu diversos alertas antes de 7 de outubro e os ignorou.
O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett atribuiu a Netanyahu “responsabilidade pessoal e direta” pelas mortes ocorridas naquele dia. Yair Golan, líder do partido Democratas, também acusou o premiê de colocar Israel em perigo e de tentar transferir a responsabilidade pelas falhas.
Partidos de oposição defendem uma comissão estatal independente, com integrantes escolhidos pela Suprema Corte de Israel, para investigar as falhas políticas, militares e de inteligência anteriores ao ataque. O governo Netanyahu rejeita esse modelo de investigação.
A nova revelação atinge um primeiro-ministro que resiste a uma apuração independente ao mesmo tempo que conduz uma ofensiva responsável pela destruição de Gaza e pela morte de dezenas de milhares de palestinos. O relato do alerta recebido antes de 7 de outubro amplia a responsabilidade política em disputa e reforça a pressão para que as decisões tomadas pelo governo israelense sejam submetidas a escrutínio público.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. diariodocentrodomundo.com.brNetanyahu foi alertado sobre ataque do Hamas do 7 de Outubro, diz livro
- 2. cartacapital.com.brNetanyahu teria sido avisado sobre o ataque do Hamas dias antes do 7 de Outubro, diz jornal
- 3. iclnoticias.com.brNetanyahu teria sido avisado com antecedência sobre ataque do Hamas em 7 de outubro, diz livro
