Pular para o conteúdo
Cobertura: Política brasileira

Manifesto com 50 economistas defende mandato de Lula e propõe taxar super-ricos

Documento assinado por especialistas denuncia tentativa do mercado de impor agenda derrotada de Flávio Bolsonaro e aponta os juros do Banco Central como a verdadeira causa da dívida.

BEM10 TV
Redação BEM10.TV

Núcleo editorial

Leitura rápida

Em resumo

  • Cinquenta economistas lançaram manifesto denunciando a tentativa da Faria Lima de impor cortes de despesas ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.
  • O documento defende antecipar a tributação de quem ganha acima de R$ 600 mil anuais e rever R$ 612,8 bilhões concedidos em isenções e incentivos fiscais.
  • Os gastos com juros atingiram R$ 1,1 trilhão em doze meses, superando em mais de 14 vezes o déficit primário registrado pelas contas públicas.

4 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à comunidade quilombola de Mamuna
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à comunidade quilombola de Mamuna em setembro de 2024 — Lula Oficial. Wikimedia Commons · CC BY-SA

Ouça esta leitura

Duração disponível ao iniciar

Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

Um grupo formado por 50 economistas e pesquisadores divulgou um manifesto nesta sexta-feira (30) para barrar a ofensiva do mercado financeiro contra o programa eleito pelo povo brasileiro. O documento denuncia a pressão de setores da Faria Lima para empurrar o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva a adotar a agenda de austeridade e arrocho fiscal defendida pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro, que previa o corte de R$ 190 bilhões em serviços públicos.

Para os especialistas, a vitória de Lula nas urnas em 25 de outubro consagrou a defesa dos direitos sociais, do investimento público e da soberania nacional, recusando o modelo neoliberal que penaliza a classe trabalhadora.

Em 25 de outubro, a maioria do eleitorado reelegeu Lula e recusou o programa de Flávio Bolsonaro, que prometia cortar R$ 190 bilhões do gasto público. Um governo eleito por um levante popular contra a ameaça bolsonarista não pode escolher a via defendida pelos mais ricos.

O verdadeiro vilão: a ciranda dos juros do Banco Central

O manifesto desmascara o discurso da grande finança ao apontar que o crescimento da dívida pública não decorre dos gastos sociais do governo federal, mas sim da política monetária do Banco Central, que mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano e impõe ao Brasil as maiores taxas de juros reais do planeta, de acordo com o ranking da consultoria Moneyou.

Enquanto a dívida bruta alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto deste ano — ante 71,7% em 2022 —, a despesa do Estado com o pagamento de juros drenou mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento em doze meses, o que representa 8,9% de toda a riqueza nacional.

Carregando enquete…

Os economistas frisam que a inflação acumulada de 4,58% registrada em setembro decorre de choques de oferta em alimentos e energia, fatores que não são contidos pela elevação artificial dos juros pelo Banco Central. Por sua vez, a autoridade monetária costuma justificar as taxas elevadas sob a alegação de conter pressões de preços associadas aos déficits primários.

Taxação do topo e novo arranjo fiscal

No lugar de sacrificar políticas públicas essenciais, os signatários sustentam que o equilíbrio das contas deve ocorrer pela cobrança justa dos setores privilegiados. A proposta central é antecipar já para janeiro a alíquota mínima de 10% sobre rendas superiores a R$ 600 mil anuais — prevista na Lei 15.270 de 2025 apenas para declaração em 2027 —, além de tributar a distribuição de lucros, dividendos e juros sobre capital próprio. A revisão de isenções e regimes tributários especiais, que drenam R$ 612,8 bilhões por ano, também integra a pauta emergencial.

O texto propõe ainda substituir o atual arcabouço fiscal por um modelo compatível com os compromissos populares de Lula, preservando aportes nas empresas estatais, o crédito produtivo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e garantindo recursos para o Bolsa Família e os pisos constitucionais de saúde e educação.

Para assegurar o ritmo do desenvolvimento com transição ecológica e proteger as conquistas sociais, o documento também pede que o Conselho Monetário Nacional (CMN) reajuste o centro da meta de inflação de 3% para 4,5% ao ano, como vigorou entre 2005 e 2018. Assinam a declaração nomes de referência da academia progressista, entre eles Pedro Paulo Zahluth Bastos e Simone Deos (Unicamp), Maria de Lourdes Rollemberg Mollo (UnB), Juliane Furno (UFF) e Alfredo Saad Filho (Queen's University Belfast).

Comentários

Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.

Espaço dos membros

Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.

A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.

Quero ser membro

Carregando comentários…

Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. iclnoticias.com.brEconomistas propõem taxar ricos em vez de cortar gastos sociais
  2. 2. agenciabrasil.ebc.com.brEconomistas propõem taxar ricos em vez de cortar gastos sociais