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Mendonça afasta Andrei Rodrigues e amplia crise no STF

Ministro também afastou o diretor de Inteligência, abriu apurações e suspendeu relatórios que atingiram Jorge Messias e integrantes da Corte.

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Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • André Mendonça afastou preventivamente o diretor-geral da PF e o diretor de Inteligência Policial.
  • A Corregedoria da PF deverá abrir apurações criminais e disciplinares sobre os relatórios.
  • Os documentos monitoraram Mendonça e Jorge Messias e apresentavam análises classificadas como de baixa confiança.
  • O Novo pediu a prisão de Andrei Rodrigues, mas Mendonça adotou o afastamento temporário.
  • A Segunda Turma formou maioria pelo referendo, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista.

5 min de leitura

Andrei Rodrigues é afastado por Mendonça, ampliando crise no STF
Andrei Rodrigues é afastado por Mendonça, ampliando crise no STF — Reprodução. · Reprodução

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 8 de setembro, o afastamento preventivo de Andrei Augusto Passos Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa da Diretoria de Inteligência Policial. A decisão também ordena a abertura de apurações criminais e administrativo-disciplinares sobre relatórios que teriam monitorado autoridades, entre elas o advogado-geral da União do governo Lula, Jorge Messias.

Mendonça suspendeu a produção e o compartilhamento, inclusive dentro da PF, de documentos de inteligência destinados a analisar atos praticados por magistrados, pela advocacia pública e pela própria polícia judiciária. Segundo o ministro, a medida busca impedir o uso das prerrogativas dos cargos para interferir na coleta de provas ou nos procedimentos que examinarão a produção dos relatórios.

O afastamento amplia a crise aberta na cúpula do Judiciário depois que Alexandre de Moraes utilizou documentos da PF para pedir, em 3 de setembro, a investigação de Mendonça por supostas irregularidades na condução dos casos Banco Master e INSS. Cinco dias depois, Mendonça reagiu apontando graves problemas técnicos, vazamento de informações sigilosas e monitoramento ilegal realizado pela inteligência policial.

Afastamento alcança direção-geral e inteligência da PF

A decisão atende parcialmente a uma ação apresentada pelo Novo. A legenda acionou o Supremo em 2 de setembro e, no dia seguinte, chegou a pedir a prisão preventiva de Andrei Rodrigues. Mendonça rejeitou a providência mais extrema e considerou o afastamento temporário uma medida proporcional para proteger as apurações.

O ministro sustentou que Andrei tinha conhecimento da produção e do conteúdo dos relatórios. Para Mendonça, a permanência dos dois dirigentes nas funções poderia comprometer a obtenção de provas e o andamento dos procedimentos instaurados na Corregedoria da PF.

“Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação.”

— André Mendonça, ministro do STF

Mendonça também convocou uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma para submeter sua decisão ao colegiado. O afastamento chegou a reunir maioria de votos, mas a conclusão do julgamento foi interrompida por um pedido de vista de Gilmar Mendes.

Relatórios atingiram Jorge Messias e atribuições do governo

De acordo com a decisão, Andrei encaminhou a Alexandre de Moraes ao menos seis relatórios sigilosos produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026. Os documentos analisavam a atuação de Mendonça e de Jorge Messias, chefe da advocacia pública federal no governo do presidente Lula.

Os relatórios levantaram a hipótese de que a decisão de Messias de não recorrer em procedimentos ligados às operações Sem Desconto e Compliance Zero teria como objetivo preservar uma “relação política com o relator”. O próprio material, porém, classificava essa análise como de baixa confiança e, ainda assim, defendia “monitoramento e coleta dirigida”.

A tentativa de atribuir motivação política à atuação da Advocacia-Geral da União alcançou também prerrogativas do presidente da República. Mendonça afirmou que um dos documentos avançava sobre decisões que caberiam de forma exclusiva e soberana ao chefe do Executivo. O ministro classificou como “surreal” e “abjeta” a associação entre as condutas dele e de Messias e uma suposta “matriz religiosa comum”.

Documentos apócrifos e vazamento de investigações

Mendonça apontou que os relatórios não apresentavam autoria identificada, timbre, brasão, assinatura ou numeração. Segundo o ministro, as peças descumpriam o padrão estabelecido pela Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública e continham advertências de que não tinham valor probatório.

Os documentos também faziam juízos sobre decisões do STF, sobre o trabalho técnico da AGU e sobre a atuação de outros delegados e agentes da Polícia Federal. Entidades ligadas à inteligência de Estado e aos delegados federais criticaram a utilização desse tipo de material e sua circulação fora da corporação.

Outro ponto central da decisão foi a divulgação de informações sobre investigações ainda em andamento envolvendo os políticos Antonio Rueda e ACM Neto. Para Mendonça, a exposição antecipada de possíveis medidas cautelares aos alvos prejudicou a eficácia das apurações.

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O episódio revela uma contradição institucional concreta: relatórios sem identificação formal, classificados como de baixa confiança e sem valor probatório foram usados para sustentar acusações graves no interior do Supremo. Ao interromper sua produção e afastar preventivamente os responsáveis pela cúpula policial, a decisão preserva as investigações e protege a atuação constitucional de Jorge Messias e do governo Lula contra o uso opaco do aparato de inteligência.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasil247.comAndré Mendonça determina afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de inteligência da PF
  2. 2. diariodocentrodomundo.com.brMendonça afasta Andrei Rodrigues da direção-geral da PF
  3. 3. g1.globo.comQuem é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado por decisão de André Mendonça | G1
  4. 4. bbc.comPor que André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues - BBC News Brasil
  5. 5. g1.globo.comMendonça determina afastamento de diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues | G1