“Mendonça armou um panfleto para a eleição”, diz Serrano
Jurista afirma que relatório de 218 páginas divulgou hipóteses como se fossem provas e produziu efeitos políticos às vésperas da eleição.

Núcleo editorial
Leitura rápida
Em resumo
- Pedro Serrano diz que o relatório de 218 páginas divulgado no caso Master não tem caráter pericial e foi convertido em instrumento político.
- O jurista afirma que fragmentos de conversas e inferências foram apresentados publicamente antes de uma investigação conclusiva.
- Flávio Dino reverteu a decisão de André Mendonça que afastava dois dirigentes da Polícia Federal.
- Lula defendeu transparência integral nas investigações e criticou vazamentos seletivos capazes de afetar a eleição.
5 min de leitura

O jurista e professor de Direito Constitucional Pedro Serrano afirmou que a divulgação de um relatório de 218 páginas relacionado ao caso Banco Master transformou material preliminar em instrumento de disputa política. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, ele atribuiu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma atuação politizada com potencial para interferir no processo eleitoral.
Segundo Serrano, o documento reúne fragmentos de conversas e hipóteses, mas não apresenta elementos suficientes para ser tratado como perícia ou prova contra o ministro Alexandre de Moraes. O constitucionalista também chamou atenção para o fato de o relatório ter sido produzido em cerca de 72 horas, classificando-o como “no mínimo, inconsistente”. As declarações foram publicadas pelo Brasil 247.
Fragmentos foram apresentados como provas, critica jurista
Serrano diferenciou as informações originalmente extraídas dos celulares apreendidos do relatório elaborado posteriormente. Para ele, uma eventual fragilidade do documento não invalida automaticamente os dados obtidos por ordem judicial, que podem justificar uma investigação sobre Moraes. O problema está em expor hipóteses antes de uma apuração capaz de confirmá-las ou descartá-las.
“Ilações não são e não serão provas.” — Pedro Serrano, jurista e professor de Direito Constitucional
O jurista afirmou que o relatório aproxima mensagens de momentos diferentes sem reproduzir integralmente as conversas. Também contestou a interpretação de que o documento comprovaria o envio de mais de 50 mensagens a Moraes: segundo sua leitura, cinco teriam sido efetivamente enviadas, enquanto as demais ocorrências seriam inferências baseadas em anotações e registros encontrados nos aparelhos.
Retirada do sigilo ampliou desgaste do Supremo
Para Serrano, a retirada do sigilo atingiu a imagem de Moraes e do próprio STF antes de qualquer conclusão jurídica. Ele argumentou que uma apuração preliminar envolvendo um integrante da Corte deveria permanecer reservada tanto para preservar direitos quanto para garantir a eficácia da investigação.
A crítica ganha dimensão política porque Mendonça foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro e suas decisões repercutem em um ambiente eleitoral no qual o bolsonarismo procura transformar Moraes em alvo permanente. O Brasil de Fato informou ainda que Mendonça recebeu o então banqueiro Daniel Vorcaro fora do STF, em março de 2025, durante a tramitação de uma ação de interesse do Banco Master.
A tensão institucional aumentou quando Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Na quarta-feira, 9 de setembro, Flávio Dino reverteu a medida, reconduziu os delegados e questionou a possibilidade de Mendonça decidir sobre trabalhos policiais relacionados a investigações que também o envolvem.
Sem demonstrar uma relação causal entre a crise e a movimentação do eleitorado, a pesquisa Meio/Ideia realizada entre 4 e 7 de setembro mostrou a dimensão da disputa: Lula apareceu com 38,4% no primeiro turno, diante de 37,3% de Flávio Bolsonaro, e ambos registraram 46% em um eventual segundo turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Lula defende transparência integral e resposta institucional
Diante da crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a quebra completa do sigilo das investigações do caso Master, que classificou como o maior crime financeiro da história do país. Lula cobrou transparência e alertou que vazamentos seletivos afetam a disputa eleitoral, conforme registrou o g1.
A posição do presidente confronta justamente o mecanismo criticado por Serrano: a divulgação parcial de informações, capaz de favorecer narrativas políticas sem entregar à sociedade o conjunto dos elementos investigados. Em vez de alimentar uma escalada entre os Poderes, Lula apresentou a transparência integral como caminho para proteger o interesse público e permitir que responsabilidades sejam apuradas com base em provas.
Serrano também avaliou que o governo deve evitar uma reação intempestiva que desloque o Executivo para o terreno de confronto desejado pela extrema direita. Para o jurista, a resposta precisa ocorrer dentro do STF, por meio de recursos, decisões colegiadas e eventual mudança da relatoria. Essa saída preserva a postura responsável de Lula e concentra a cobrança onde ela deve estar: na condução de uma investigação sem seletividade, espetáculo ou exploração eleitoral.
Comentários
Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.
Espaço dos membros
Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10 TV.
A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.
Carregando comentários…
Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.com“André Mendonça armou um panfleto para a eleição”, diz Pedro Serrano
- 2. brasildefato.com.brEm meio à atuação de André Mendonça no STF, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados no 2º turno, aponta Meio/Ideia
- 3. g1.globo.comLula pede quebra total de sigilo em investigações do caso Master e diz que
