Sob desgaste de Trump com guerra e inflação, democratas chegam às midterms rachados pela base
Às vésperas da votação que pode tirar a maioria de Donald Trump no Congresso, a ala progressista pressiona a cúpula do partido por saúde universal e pelo fim da cumplicidade com Israel.

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Atualizado em 01 de novembro de 2026
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Em resumo
- A aprovação de Donald Trump atingiu piso histórico em meio ao impacto da guerra no Irã e à alta da gasolina e do custo de vida.
- Apesar do cenário favorável nas urnas na terça-feira (3/11), o Partido Democrata enfrenta forte rejeição popular e divisão ideológica.
- A ala à esquerda exige medidas como o Medicare para Todos, redução dos gastos militares do Pentágono e ruptura com o lobby do Aipac.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
Com a aproximação das eleições de meio de mandato na próxima terça-feira (3/11), as condições políticas e econômicas apontam para uma derrota expressiva da base de Donald Trump no Congresso dos Estados Unidos. A impopularidade do presidente republicano atinge marcas históricas comparáveis às de George W. Bush em 2006, minada pelos reflexos do custo de vida, pela disparada dos preços dos combustíveis e pela rejeição popular à guerra em curso no Irã. Ainda assim, a vantagem projetada nas urnas não esconde a crise que consome o Partido Democrata: uma disputa aberta entre a burocracia centrista e uma base que exige o fim da conciliação.
Historicamente, o pleito legislativo funciona como referendo da Casa Branca — o partido governista perdeu cadeiras na Câmara dos Representantes em 18 das últimas 20 midterms. No entanto, os democratas seguem vistos com ceticismo pela maioria dos trabalhadores do país. Sem oferecer uma ruptura clara com o modelo econômico que sufoca as famílias americanas, a cúpula democrata vê sua autoridade ser contestada diretamente por movimentos de esquerda e jovens eleitores que rechaçam o financiamento corporativo da política.
Saúde pública e a barreira do lobby privado
No centro da disputa programática está o colapso do modelo privatizado de saúde. Enquanto candidatos ligados ao establishment democrata se limitam a propor paliativos para segurados privados, setores organizados em torno dos Socialistas Democratas da América (DSA) e de parlamentares progressistas exigem a instituição do Medicare para Todos, garantindo atendimento médico público, gratuito e universal.
Para Usamah Andrabi, do grupo de esquerda Democratas pela Justiça — coletivo responsável pela eleição de parlamentares do chamado "Esquadrão", como Alexandria Ocasio-Cortez e Ilhan Omar —, a crise atual decorre justamente das concessões feitas pela elite do partido.
"Por isso, acho que as pessoas que nos trouxeram a este caos simplesmente não serão os que nos tirarão dele. A crise do custo de vida... é imensa e não será resolvida com ajustes marginais." — Usamah Andrabi, em declaração reproduzida pelo g1
Andrabi pontua que o enfrentamento à inflação exige medidas estruturais de redistribuição, incluindo creches e saúde públicas, financiadas com o corte drástico do orçamento do Pentágono e a interrupção das guerras imperialistas no exterior.
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A ruptura com o sionismo e o peso de Gaza
Outro ponto de atrito intransponível na base partidária é o alinhamento incondicional de setores democratas a Israel. A política externa complacente com as atrocidades na Faixa de Gaza alimentou abstenções e dissidências nas urnas em 2024 e consolidou uma resistência crescente ao poderoso Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel (Aipac).
A vitória de Abdul El-Sayed nas primárias de Michigan demonstrou que a condenação veemente dos ataques a Gaza e o confronto com a máquina partidária de Washington têm capacidade de mobilizar eleitores árabes-americanos e jovens descontentes. Para ativistas locais, o rechaço ao massacre na Palestina se consolidou como um critério indispensável de sustentação eleitoral.
Embora estrategistas centristas insistam que as chances de maioria no Senado dependam de nomes moderados, a eleição expõe que a oposição a Trump não basta para estancar a sangria política dos democratas. Sem enfrentar o complexo bélico e os interesses privados que drenam a renda da população, o partido arrisca transformar uma provável vitória parlamentar em novo mandato de paralisia institucional.
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