TRE-PR aprova Deltan ao Senado; ele usa decisão para atacar Lula
Por 4 votos a 3, corte acolheu o entendimento favorável à elegibilidade; após o julgamento, ex-procurador prometeu mirar o filho de Lula e ministros do STF.

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Em resumo
- O TRE-PR aprovou por 4 votos a 3 o registro de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná.
- A relatora considerou que o encerramento dos processos no CNMP alterou a situação jurídica examinada em 2023.
- No mesmo julgamento, Dallagnol recebeu multa de R$ 100 mil por litigância de má-fé.
- Após a decisão, o ex-procurador anunciou que pretende investigar o filho de Lula e atuar pelo impeachment de ministros do STF.
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O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) aprovou nesta terça-feira (8) o registro da candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado nas eleições de 2026. A decisão, tomada por 4 votos a 3, recoloca o ex-procurador da Lava Jato na disputa eleitoral três anos depois da cassação de seu mandato de deputado federal.
Após o julgamento, Dallagnol transformou a vitória judicial em plataforma de confronto político: anunciou que pretende usar uma eventual cadeira no Senado para investigar Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e trabalhar pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Placar apertado e voto da relatora
O julgamento durou cerca de sete horas e terminou com o voto de desempate do presidente do TRE-PR, Luciano Carrasco Falavinha Souza. A decisão acompanhou o parecer do Ministério Público Eleitoral, que havia se manifestado favoravelmente à elegibilidade de Dallagnol.
A relatora, juíza Vanessa Jamus Marchi, entendeu que a situação jurídica do ex-procurador mudou desde a decisão que levou à perda de seu mandato em 2023. Segundo o voto relatado pelas fontes, os procedimentos administrativos abertos no Conselho Nacional do Ministério Público foram encerrados e não produziram punições futuras contra ele.
A defesa sustentou que o Tribunal Superior Eleitoral, ao cassar o mandato em 2023, não havia declarado expressamente uma inelegibilidade para eleições posteriores nem fixado oito anos de suspensão dos direitos políticos. Esse entendimento acabou prevalecendo por margem mínima no tribunal paranaense.
Cassação anterior e multa por má-fé
Em 2023, o TSE concluiu por unanimidade que Dallagnol deixou o Ministério Público Federal em 2021 enquanto respondia a procedimentos que poderiam levar à abertura de processo administrativo disciplinar e, consequentemente, atingir sua elegibilidade pela Lei da Ficha Limpa. A decisão resultou na perda do mandato conquistado nas eleições de 2022.
O histórico torna mais frágil a tentativa do ex-procurador de apresentar o resultado como uma consagração política sem contradições. A candidatura foi autorizada por apenas um voto de diferença, enquanto a própria corte registrou uma conduta processual considerada de má-fé.
Decisão vira palanque contra Lula e o Supremo
Nas redes sociais, Dallagnol comemorou o resultado e disse que pretende investigar Fábio Luiz Lula da Silva caso seja eleito. Também anunciou que trabalhará pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo.
“Já botamos o pai na cadeia, vamos botar o filho.” — Deltan Dallagnol, ao falar sobre Lula e Fábio Luiz Lula da Silva após o julgamento.
Ao reivindicar a prisão passada de Lula e projetar a ofensiva sobre o filho do presidente, Dallagnol associou sua candidatura a uma retomada do método de confronto político que marcou sua passagem pela Lava Jato. Ele também atacou integrantes do Judiciário, acusando magistrados de fazer política e de proteger corruptos.
A manifestação mostra que o projeto apresentado pelo ex-procurador para uma eventual atuação no Senado está centrado no enfrentamento ao presidente Lula e ao Supremo. A margem estreita da decisão, a cassação de 2023 e a nova multa por má-fé contrastam com a narrativa de triunfo absoluto divulgada por Dallagnol — e recolocam na eleição paranaense uma figura que escolheu converter sua autorização para concorrer em palanque contra o campo progressista e as instituições que passaram a contrariar seus interesses políticos.
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