Trump perde Congresso em derrota histórica por guerra e custo de vida
Republicanos perdem o controle da Câmara e do Senado após agressão militar ao Irã, disparada da inflação e escândalos de corrupção na Casa Branca.

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Em resumo
- Os republicanos perderam a maioria na Câmara e no Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 2026.
- A agressão militar de Trump contra o Irã e o aumento da inflação foram apontados pelos eleitores como motivos centrais da derrota.
- Reportagens revelaram contratos de US$ 3,2 bilhões para empresas dos filhos de Trump e levaram o The New York Times ao prêmio Pulitzer.
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A população dos Estados Unidos impôs uma derrota histórica ao governo de Donald Trump na eleição de meio de mandato, retirando do Partido Republicano o controle tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado. O revés da extrema direita avançou sobre redutos historicamente conservadores, como Kansas, Ohio, Iowa, Carolina do Sul e o Texas — estado onde um democrata não vencia para o posto havia 38 anos.
Pesquisas de boca de urna conduzidas pela rede NBC News registraram que 65% dos entrevistados declararam que as medidas de Trump pioraram a situação econômica, enquanto 62% o responsabilizaram diretamente pela disparada nos preços dos produtos essenciais. A reprovação ao presidente, que se engajou ativamente na campanha, também decorre da rejeição à guerra deflagrada contra o Irã, da ausência de regras para a Inteligência Artificial e de uma sequência de escândalos envolvendo sua família.
Custo de vida e aventura militar no Irã
A deterioração material da classe trabalhadora norte-americana cobrou seu preço nas urnas. O aumento do custo de vida foi impulsionado tanto pelas tarifas de importação impostas pela Casa Branca quanto pelas consequências da agressão bélica no Oriente Médio. O ataque contra os iranianos culminou no fechamento do Estreito de Ormuz, provocando uma escalada nos valores da gasolina e do diesel com reflexos em toda a cadeia produtiva.
Segundo o levantamento de boca de urna, 63% dos eleitores consideraram errada a decisão militar de atacar o Irã. Além disso, 57% reprovaram os excessos da política migratória trumpista. Em entrevista à Agência Brasil, a professora de relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que a população esperava respostas para o sufoco cotidiano que jamais foram entregues:
"As pessoas tinham esperança de que Trump adotasse políticas mais voltadas para dentro dos EUA, voltadas para questões materiais da população que está cada vez mais estagnada financeiramente."
Camila Vidal ressaltou que as famílias trabalhadoras nos EUA precisam acumular dois ou três empregos para sobreviver, em um modelo de saúde totalmente privatizado e inacessível, que contrasta com a necessidade de proteção social garantida pelo Estado.
Enriquecimento familiar e escândalos de corrupção
Outro pilar determinante para o desfecho eleitoral foi a série de denúncias de corrupção envolvendo a gestão republicana. O The New York Times recebeu o prêmio Pulitzer de 2026 por revelar esquemas de enriquecimento ilícito e conflitos de interesse na administração, que incluem suspeitas de uso de informações privilegiadas para especulação na bolsa de valores. Já o The Washington Post revelou que 15 empresas pertencentes aos filhos de Trump faturaram US$ 3,2 bilhões em contratos com o governo federal, a maioria após o início do mandato.
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O professor de história da Universidade de Brown, James N. Green, observou à Agência Brasil que o desvio de finalidade do poder em favor do clã Trump desencadeou revolta entre os próprios antigos eleitores do republicano. "É o começo e o fim do poder do Donald Trump", destacou o pesquisador, apontando a indignação popular com um mandatário alheio à realidade.
Rejeição à desregulação da IA e recado global
A recusa irrestrita de Trump em regulamentar o setor de Inteligência Artificial também pesou contra os republicanos. Os dados eleitorais mostraram que 57% dos votantes temem que a IA traga mais prejuízos do que benefícios à sociedade, e 76% rejeitam a instalação de grandes centros de processamento de dados (data centers) em suas cidades, preocupados com os impactos locais e o consumo predatório de recursos.
Para o professor de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Borba Casella, o colapso republicano evidencia o desgaste de governos de extrema-direita hostis a direitos sociais e liberdades fundamentais. Conforme destacou à Agência Brasil, o revés do trumpismo marca um enfraquecimento dessa onda reacionária no cenário internacional e reforça o contraponto positivo construído pelo Brasil, onde o governo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva avança com políticas de inclusão, valorização da soberania e reconstrução do bem-estar do povo.
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