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Cobertura: Geopolítica

EUA e Argentina sob suspeita por apoiar fuga de Flávio Bolsonaro

Após ser derrotado pelo presidente Lula, senador descumpriu ordem judicial do STF e contou com facilitação de governos de extrema-direita para entrar nos Estados Unidos.

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Redação BEM10.TV

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Em resumo

  • Secretário de Estado Marco Rubio admitiu que Donald Trump autorizou pessoalmente a entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA.
  • Reportagens revelam articulação com o assessor de Trump, Jason Miller, e atuação direta de Santiago Caputo na Argentina.
  • Itamaraty age com firmeza diplomática e cobra explicações oficiais sobre a violação da soberania popular das urnas brasileiras.

4 min de leitura

Imagem da reportagem de metropoles.com: Assessor de Milei organizou fuga de Flávio Bolsonaro, diz jornal argentino
Flávio Bolsonaro e sua família desembarcaram nos Estados Unidos na manhã dessa quarta-feira (28/10) — Reprodução/metropoles.com. Página-fonte

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

A saída clandestina de Flávio Bolsonaro do Brasil, concretizada dois dias após sua derrota nas urnas para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, transformou-se em um foco de atrito internacional e evidenciou a cumplicidade de governos estrangeiros de extrema-direita com o bolsonarismo. Neste sábado (31), em Atlanta, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou que Washington tenha coordenado os preparativos da viagem, mas admitiu publicamente que o presidente Donald Trump autorizou de forma expressa a entrada do senador em território norte-americano.

A declaração de Rubio ocorreu logo após diálogo com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, à margem da reunião do G20. Em sua fala, o chefe da diplomacia norte-americana tentou limitar o papel da Casa Branca, sustentando que os EUA apenas aceitaram a chegada do parlamentar sob a concessão de parole humanitário. Contudo, apurações da imprensa internacional desmentem a tentativa de afastar responsabilidades e indicam que a viagem foi viabilizada com apoio logístico e político direto de operadores ligados a Trump e ao presidente argentino Javier Milei.

A rota da fuga e a mobilização de aliados estrangeiros

Flávio Bolsonaro viajou após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão de seus passaportes e proibir sua saída do Brasil, em apuração da Polícia Federal que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e plataformas de apostas. Com os documentos brasileiros retidos e alerta migratório ativo, o senador optou por burlar a Justiça: na noite de terça-feira (27), cruzou a fronteira em direção a Puerto Iguazú, na Argentina, de onde embarcou em um jato executivo da companhia Baires Fly rumo a Miami, com escala no Equador.

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil tem cara de operação, e operações têm patrocinadores. Pode-se discutir o grau de envolvimento de cada um, mas não dá para fingir que foram meros espectadores. — Vinicius Figueiredo, professor de Direito Constitucional da UFRJ, ao Jornal GGN

Segundo o jornal argentino Clarín, a movimentação em solo vizinho contou com o monitoramento direto de Santiago Caputo, principal assessor de Milei, que esteve pessoalmente em Puerto Iguazú para assegurar o embarque e evitar registros fotográficos, mobilizando órgãos como a Direção Nacional de Migrações e a Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE). Simultaneamente, apurações do The New York Times e da agência Reuters revelaram que Jason Miller, funcionário especial e assessor de Trump, manteve contato com Eduardo Bolsonaro e participou da coordenação da aeronave que retirou o parlamentar da América do Sul.

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Soberania violada e a postura firme da diplomacia de Lula

Diante da manobra, o governo do presidente Lula adotou providências imediatas em defesa da soberania e do respeito à Justiça brasileira. Na quinta-feira (29), o Ministério das Relações Exteriores convocou formalmente a encarregada de negócios da embaixada da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos sobre a atuação da gestão Milei. A diplomacia brasileira também marcou posição na conversa entre Mauro Vieira e Marco Rubio, reforçando a seriedade da crise criada pela acolhida ao congressista investigado.

A professora de Direito Internacional Elaini Silva, da PUC, destacou que precedentes da Corte Internacional de Justiça — como o histórico julgamento do caso Nicarágua contra Estados Unidos, em 1986 — estabelecem que apoios indiretos, suporte logístico ou financiamento de potências a ações internas configuram intervenção ilícita na soberania de outros países. Embora chefes de Estado gozem de imunidades formais perante cortes comuns, o amparo a quem tenta desacreditar o resultado democrático das urnas representa um ataque direto às instituições brasileiras.

Ao desembarcar na Flórida, Flávio divulgou uma carta repleta de acusações infundadas de fraude — derrotado por 64,2 milhões de votos, quase 4,5 milhões atrás de Lula —, chegando a se autodeclarar o mandatário eleito antes de recuar do termo golpista. O episódio consolida o isolamento dos setores bolsonaristas que, incapazes de vencer no voto popular e temendo responder à legislação nacional, recorrem ao alinhamento submisso com a extrema-direita internacional.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasil247.comMarco Rubio nega ‘participação direta’ dos EUA na fuga de Flávio Bolsonaro
  2. 2. operamundi.uol.com.brApós conversa com Mauro Vieira, Rubio nega participação dos EUA na fuga de Flávio Bolsonaro
  3. 3. metropoles.comAssessor de Milei organizou fuga de Flávio Bolsonaro, diz jornal argentino
  4. 4. jornalggn.com.brTrump e Milei podem ser responsabilizados pela fuga de Flávio?