Netanyahu perde maioria e oposição depende de deputados árabes em Israel
Com 53 cadeiras para a extrema direita, oposição soma 48 assentos e precisa dos partidos palestinos para barrar premiê.

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Em resumo
- A coalizão de Benjamin Netanyahu obteve 53 das 120 cadeiras do Knesset, perdendo a maioria folgada que detinha antes da votação.
- Os partidos da oposição judaica somaram 48 cadeiras, enquanto legendas árabes conquistaram 19 vagas após participação recorde.
- Para alcançar os 61 votos e destituir o premiê, a oposição enfrenta o próprio veto histórico a governar com a população palestina.
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A Comissão Eleitoral Central de Israel concluiu, nesta sexta-feira (30), a apuração oficial das eleições para o Knesset, o Parlamento israelense. O resultado confirmou uma derrota política relevante para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu: sua coalizão governista perdeu a maioria absoluta, encolhendo de 63 para 53 cadeiras, oito a menos do que as 61 necessárias para formar governo de forma direta.
O Likud, partido de Netanyahu, terminou como a legenda mais votada, alcançando 20% da preferência e 27 assentos. No entanto, o bloco de oposição liderado pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, do partido Yashar, conquistou 48 cadeiras. Nesse cenário de fragmentação, a chave para afastar Netanyahu do poder após 19 anos de comando recai sobre os partidos de palestinos-israelenses, que obtiveram uma bancada histórica de 19 deputados.
Voto palestino recorde desafia a oposição
Com uma presença nas urnas superior a 80%, a população palestina cidadã de Israel — que representa cerca de 21% dos habitantes do país — quase dobrou sua bancada parlamentar. As legendas Lista Conjunta (11 assentos) e Ra’am (8 assentos) somam 19 deputados e completam a conta matemática que permitiria à oposição alcançar 67 cadeiras e derrubar o premiê.
Apesar dos números favoráveis à mudança, as legendas de oposição Yashar (21 cadeiras) e B’Yachad (12 assentos) construíram suas campanhas rejeitando acordos governamentais com as forças políticas palestinas. Em análise à Agência Brasil, o pesquisador Shajar Goldwaser, do Grupo de Estudos sobre Conflitos (GECI) da PUC-SP, pontuou que o impasse decorre de uma barreira discriminatória arraigada:
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Eles não querem, por exemplo, ter um ministro da educação palestino. Formar um governo com esses partidos seria uma vitória para os palestinos, que teriam a sensação de que o voto importa. Esse é o medo dos israelenses: que os palestinos achem que eles têm poder e podem influenciar a política israelense.
Manobras da extrema direita e risco de escalada bélica
Enquanto as negociações de gabinete não produzem um acordo formal, Netanyahu segue no cargo como premiê interino. Diante do revés nas urnas, o primeiro-ministro passou a desferir ataques contra o sistema eleitoral, alegando, sem provas, fraude e suposta interferência estrangeira da Turquia e do Catar para favorecer os partidos árabes. As alegações foram rebatidas pela oposição e classificadas como manobra diversionista.
Paralelamente, setores da direita oposicionista já ensaiam ceder às pressões do regime. Informações veiculadas pela emissora israelense N12 News apontam que o partido Yisrael Beiteinu, de Avigdor Liberman, que elegeu sete deputados, avalia negociar um governo de “unidade nacional” com o próprio Netanyahu, justamente para evitar a inclusão das siglas palestinas na coalizão governante.
Além das barganhas de bastidor, especialistas alertam para os riscos geopolíticos associados à tentativa de sobrevida de Netanyahu. Caso perca o cargo, o líder da direita enfrentará o andamento de acusações de corrupção na Justiça e pedidos de investigação sobre a conduta militar do governo. Segundo apontou Goldwaser, a imprensa local não descarta que o premiê busque reacender confrontos regionais, a exemplo de novas ofensivas contra o Irã, utilizando a dinâmica de guerra como pretexto para forçar a união da classe política em torno de seu comando.
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